Brasília (DF) – O ministro da Fazenda, Dario Durigan, embarca nesta quarta-feira (13) para uma maratona diplomática que coloca o Brasil no centro das discussões sobre instabilidade global. O roteiro, que começa em Moscou e termina em Paris, tem como meta blindar a economia nacional contra os efeitos das guerras no Oriente Médio e na Ucrânia. O governo quer antecipar turbulências para proteger setores vitais como o de combustíveis e o agronegócio, que sentem na pele a volatilidade dos preços internacionais.
Em Moscou, Durigan participa das reuniões do Banco do Brics, onde o foco recai sobre a proteção estratégica contra choques externos. O ministro não esconde a preocupação com o impacto direto na vida do brasileiro, citando o preço dos combustíveis como o exemplo mais sensível dessa dependência. O planejamento inclui garantir o aporte para projetos de infraestrutura, como o ambicioso Hospital Inteligente, uma parceria entre a USP e o banco do bloco que busca integrar tecnologia e expertise global.
Minerais críticos e o desafio da industrialização
A pauta de minerais críticos — como nióbio, grafeno e terras raras — será o fio condutor tanto nas negociações com os membros do Brics quanto no G7, na França. O Brasil tenta se posicionar como um fornecedor confiável para o mercado global, mas com uma condição inegociável: a agregação de valor local. Durigan é taxativo sobre o modelo que o governo quer evitar: o ciclo histórico de exportar matéria-prima bruta para depois recomprar o produto industrializado a preços elevados.
Para atrair investidores estrangeiros, o governo aposta no novo marco legal, que promete oferecer a segurança jurídica necessária sem abrir mão da soberania nacional. A estratégia é clara: vincular o capital externo à industrialização brasileira e à geração de empregos qualificados. Ao dialogar com as potências do G7, o país busca se firmar como uma alternativa estratégica à liderança chinesa, defendendo que o desenvolvimento interno deve acompanhar o interesse global pelas riquezas minerais brasileiras.












