Iúna (ES) – Um levantamento realizado pelo Observatório Lupa revelou que o Projeto de Lei da Misoginia (PL 896/2023) tornou-se o alvo principal de uma campanha coordenada de desinformação. Entre março e abril de 2026, pesquisadores analisaram mais de 289 mil publicações no X e milhares de posts em outras plataformas, identificando o uso estratégico de fake news, teorias conspiratórias e conteúdos gerados por inteligência artificial para atacar a proposta aprovada pelo Senado.
O texto, que propõe incluir a “condição de mulher” na Lei do Racismo com penas de até cinco anos de prisão, foi alvo de distorções que exploram o medo para gerar engajamento. O relatório destaca que o pico das ações ocorreu após o deputado federal Nikolas Ferreira publicar um vídeo — posteriormente editado — que confundia o PL com outro projeto distinto. A estratégia narrativa focou em argumentos infundados, como a proibição da liberdade de expressão ou a criminalização de perguntas sobre a TPM.
Além de parlamentares como Nikolas Ferreira e Flávio Bolsonaro, influenciadores e figuras públicas impulsionaram teses de que o projeto levaria a demissões em massa ou à perseguição religiosa. Especialistas alertam que essas publicações omitem propositalmente que a lei visa punir condutas de ódio e humilhação baseadas no gênero. O estudo conclui que a desinformação distorce o debate público ao ignorar o escopo jurídico real da medida, tratando o combate à misoginia como uma ameaça ideológica.













