Estados Unidos, Estados Unidos – Em maio de 1926, Henry Ford tomou uma decisão que alteraria para sempre a rotina industrial: instituiu a jornada de 40 horas semanais em suas fábricas. Até então, o padrão era exaustivo, com seis dias de trabalho na linha de montagem. A medida, que deu nome ao fordismo, não surgiu apenas por benevolência. O empresário buscava atrair talentos de outros setores, aumentar a produtividade com funcionários menos fatigados e, estrategicamente, criar tempo livre para que os trabalhadores consumissem os próprios bens que produziam.
A conquista não foi um presente, mas o ápice de décadas de pressão operária. Desde o fim da Guerra Civil Americana, sindicatos lutavam sob o lema “oito horas para o trabalho, oito para o descanso e oito para o que quisermos”. Historiadores como Robert M. Whaples apontam que essa demanda foi o combustível para a criação das primeiras federações sindicais nos Estados Unidos. O sucesso da Ford serviu como efeito dominó: em 1927, quase 300 grandes empresas já haviam aderido ao modelo de cinco dias de trabalho, consolidando uma mudança que a lei federal americana viria a oficializar apenas em 1940.
Apesar da resistência de Ford — que era conhecido por métodos hostis contra a organização sindical e pela contratação de capangas para intimidar operários —, o modelo se impôs pela necessidade de eficiência e pela escassez de mão de obra. O debate, contudo, permanece vivo. Enquanto o Brasil discute hoje o fim da escala 6×1 e a transição para as 40 horas semanais, o exemplo de um século atrás demonstra que a redução da jornada é uma disputa constante entre o lucro imediato e a sustentabilidade humana, provando que apenas a organização coletiva consegue equilibrar essa balança.











