Serra (ES) – A Colômbia enfrenta hoje o cenário humanitário mais crítico dos últimos dez anos. O agravamento do conflito e o descaso sistemático com o Direito Internacional Humanitário empurraram o país para uma espiral de violência que atinge, sobretudo, as populações civis em regiões vulneráveis.
Dados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha revelam que 965 pessoas foram mortas ou feridas por artefatos explosivos em 2025, um salto de 33% em relação ao ano anterior. O uso de drones comerciais adaptados para lançar bombas — tanto em zonas rurais quanto em centros urbanos — transformou a dinâmica do perigo. A região de Cauca, no sudoeste, concentra quase metade dessas ocorrências.
O rastro de destruição vai além dos explosivos. O país registrou mais de 300 desaparecimentos no último ano, com um dado alarmante: 20% das vítimas são menores de idade recrutados por grupos armados. Somam-se a isso 845 casos documentados de violações humanitárias, confirmando uma deterioração contínua que preocupa observadores desde 2018.
O impacto social é profundo. O deslocamento individual dobrou, atingindo 235 mil pessoas, enquanto o Norte de Santander, na fronteira com a Venezuela, tornou-se o epicentro dos deslocamentos em massa. Com 53 milhões de habitantes, a Colômbia é a terceira nação mais populosa da América Latina, e a gravidade dessa crise projeta sombras sobre toda a estabilidade regional.







