Buenos Aires, Argentina – Estudantes, professores, funcionários e reitores de universidades argentinas fizeram, nesta terça-feira (12), a quarta Marcha Nacional Universitária em defesa da educação e das pesquisas públicas. A mobilização reuniu diferentes setores do ensino superior para protestar contra o cenário de cortes e congelamentos.
O ato foi organizado com apoio da Federação Argentina de Universidades (FUA), da Frente Nacional de União Universitária e do Conselho Interuniversitário Nacional (CIN). Em Buenos Aires, o protesto teve como ponto central a Praça de Maio. Também houve manifestações em Mendoza, Córdoba e La Plata.
O protesto mira o congelamento do orçamento, a perda do poder de compra e o descumprimento da Lei de Financiamento Universitário. Um relatório da associação Justiça Distributiva aponta que os gastos reais com o ensino superior caíram 29% entre 2023 e 2025, chegando ao menor patamar desde 2006.
Orçamento de 2026 e impacto no dia a dia
Para 2026, a tendência segue preocupante. Segundo o reitor da Universidade Nacional de Rosário (UNR), Franco Bartolacci, as universidades funcionam com apenas 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Ele também citou que as transferências nacionais reduziram acima de 45% desde 2023.
Em Mendoza, a reitora Esther Sánchez disse que um professor em tempo integral recebe 1.500.000 pesos por mês — valor que, segundo ela, “torna praticamente impossível sustentar uma família”.
Lei 27.795 e disputa no Judiciário
Há, no momento, uma disputa institucional e legal. A Lei 27.795, aprovada em outubro de 2025 depois da derrubada do veto presidencial, determina a atualização das dotações orçamentárias e dos reajustes salariais. O Poder Executivo suspendeu a implementação, alegando falta de fontes de financiamento — decisão parcialmente revertida por liminares e atualmente em análise no Supremo Tribunal.
Mesmo assim, a comunidade universitária sustenta que o corte de verbas afeta a pesquisa, as atividades de extensão e o funcionamento dos hospitais universitários. No fim, a pergunta que fica no ar é simples: como manter a rotina do ensino superior quando o dinheiro não acompanha o custo do dia a dia?








