Washington, Estados Unidos – O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos formalizou nesta quinta-feira, 4 de fevereiro, um novo pacote de sanções econômicas contra Cuba. O alvo principal é a base da economia local, incluindo o setor de turismo, representado pela estatal Amistur Cuba, e o braço de mineração aurífera, especificamente a joint venture Minera la Victoria — uma parceria entre a cubana Geominera e a australiana Antilles Gold. A manobra integra uma estratégia desenhada para pressionar por uma ruptura na estrutura de poder em Havana.
Além das empresas, Washington incluiu na sua lista de bloqueios o presidente Miguel Díaz-Canel, sua esposa, Lis Cuesta Peraza, e o filho do mandatário, Manuel Anido Cuesta. O cerco alcançou ainda o círculo familiar do ex-presidente Raúl Castro, atingindo seu filho, Alejandro Castro Espin, e seu neto, Raul Alejandro Castro Calis. Entidades centrais do aparato estatal, como o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias, o Instituto Cubano de Amizade com os Povos e os Comitês para a Defesa da Revolução, também sofreram restrições severas. A ordem proíbe qualquer transação financeira ou comercial de cidadãos ou empresas sob jurisdição americana que envolva os nomes ou bens listados.
O tom do governo americano se tornou mais contundente com as falas recentes de Donald Trump, que mencionou um suposto interesse em “cuidar” da ilha após o desfecho de tensões com o Irã. O secretário de Estado, Marco Rubio, foi além, alertando que instituições bancárias globais que auxiliarem as entidades punidas podem se tornar o próximo alvo do Departamento do Tesouro. “Não toleraremos regimes marxistas radicais em nosso hemisfério”, declarou Rubio.
A reação de Havana não tardou. Miguel Díaz-Canel classificou o movimento como uma perversão ianque, reafirmando sua disposição em resistir. No mesmo sentido, o ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, chamou a lista de “ilegítima” e acusou Washington de orquestrar um plano de intervenção que, segundo ele, inevitavelmente fracassará. Rodríguez rebateu as afirmações de Rubio sobre o setor de combustíveis, citando a Ordem Executiva 14380, assinada em 29 de janeiro de 2026, como prova de que as tarifas punitivas visam sufocar até mesmo a importação de petróleo.
O endurecimento, que se arrasta desde as restrições navais contra a Venezuela no final de 2025, tem reflexos dramáticos nas ruas. A ameaça de sanções a quem abastece Cuba com óleo causou um hiato de três meses na chegada de combustível, agravando a crise energética. Para quem vive em Havana, a conta é real: mais apagões, o esvaziamento da cesta básica estatal e o colapso do transporte público formam um cenário de penúria crescente na ilha.











