Brasília (DF) – Apesar da ascensão do trabalho remoto e da flexibilidade de horários, a estabilidade que o emprego formal oferece ainda pende na balança da maioria dos brasileiros. Uma pesquisa recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) desvendou que quase sete em cada dez trabalhadores (69,4%) consideram o contrato regido pela CLT a opção mais desejada na hora de buscar uma nova oportunidade profissional. O anseio por segurança é ainda mais latente entre jovens de 25 a 34 anos, que elevam essa preferência para 71,4%.
No cenário oposto, o trabalho autônomo em plataformas digitais, que inclui funções como motoristas de aplicativo ou entregadores, atrai apenas um em cada dez brasileiros ocupados e em busca de emprego. Mais preocupante ainda, apenas 30% dos que demonstram interesse por essa modalidade enxergam nela a principal fonte de sustento a longo prazo, o que sugere uma carência de confiança na sustentabilidade desse tipo de vínculo.
A insegurança sobre o futuro profissional é uma sombra pairando sobre quase metade dos brasileiros. Um levantamento assustador indica que 43% dos trabalhadores não sabem precisar qual será sua ocupação daqui a cinco anos. Essa névoa de incerteza é mais densa entre os profissionais mais velhos, que sentem de forma mais aguda a instabilidade que o avanço tecnológico imprime.
Claudia Perdigão, economista que analisou os dados, aponta a rápida evolução tecnológica como principal motor dessa apreensão. “Esse cenário de dúvida que recai sobre uma parcela muito grande dos trabalhadores brasileiros acaba sendo explicado, sobretudo, por essas inovações tecnológicas, que trazem preocupação com relação à adaptação do trabalho a essas tecnologias”, avalia.
Para aqueles que ousam projetar seus caminhos futuros, a aspiração de empreender chama a atenção. Cerca de 13,9% dos entrevistados que arriscaram um palpite sobre suas carreiras a longo prazo manifestaram o desejo de ter o próprio negócio. Pequenos empreendimentos, como salões de beleza, bares e restaurantes, aparecem como os setores preferidos para essa aposta.
Um dado tranquilizador, contudo, é a satisfação geral com as ocupações atuais. Nove em cada dez brasileiros (95%) declaram estar contentes com seus empregos, sendo 70% deles “muito satisfeitos”. Essa alta taxa de contentamento, em contrapartida com a insegurança em relação ao futuro, pintam um quadro complexo do mercado de trabalho nacional.
Paralelamente, a pesquisa da CNI também lançou luz sobre a maturidade digital da população. Um pouco mais da metade dos brasileiros (54%) detém habilidades digitais básicas ou intermediárias. Contudo, quando o foco se volta para competências mais avançadas, como o uso de inteligência artificial ou planilhas complexas, esse número despenca para 44,5%. O retrato final é de trabalhadores que, em sua maioria, se sentem seguros no presente, mas incertos sobre como navegarão pelas inovações que moldarão o amanhã.












