Venda Nova do Imigrante (ES) – Milhões de vidas jovens no mundo estão sob uma ameaça silenciosa — a da perda auditiva permanente. Um futuro com o som distorcido ou completamente silenciado é a dura realidade projetada para mais de um bilhão de pessoas com idades entre 12 e 35 anos, como adverte a Organização Mundial da Saúde (OMS).
A preocupação não é distante: em nações já desenvolvidas, por exemplo, o cenário atual mostra 43 milhões de indivíduos nessa faixa etária convivendo com uma deficiência auditiva que os incapacita. Um quadro que acende, sem dúvida, um grande sinal de alerta para a saúde pública.
Mas, o que nos leva a esse risco? Parte da resposta está na ponta dos fones de ouvido. Joel Lavinsky, presidente da Associação Gaúcha de Otorrinolaringologia, aponta para uma questão central: o uso prolongado desses acessórios e a forma como o fazemos. Sua recomendação é clara: diminuir o tempo de exposição e, sempre que possível, optar por modelos com cancelamento de ruído. Tal tecnologia dispensa a necessidade de elevar o volume para abafar os sons externos, protegendo a audição de sobrecargas. Um teste simples pode guiar o usuário: se quem está ao lado consegue ouvir a música que vem dos seus fones, é sinal de que o volume já excedeu o nível seguro.
O bom é que, mesmo diante de uma ameaça tão disseminada, a maior parte dos danos pode ser evitada com atitudes mais simples do que se imagina. É a perspectiva reforçada pelo Dr. Marcos Pontes, sócio do Hospital Monte Cristo, em São Paulo. Ele sugere a redução no tempo de uso e a aplicação de uma metodologia de fácil memorização: a regra “60-60”.
Em linhas gerais, essa diretriz significa ouvir música ou áudios com um volume que não ultrapasse 60% da capacidade máxima do aparelho, por períodos que não excedam 60 minutos contínuos. Fazer pausas auditivas durante o dia, afastar-se de locais excessivamente barulhentos e incorporar o uso de protetores auriculares – especialmente em eventos como shows, festivais ou outros ambientes com picos de volume – são passos adicionais cruciais para a prevenção.
Para quem trabalha em ambientes onde a exposição a ruídos intensos e frequentes é inevitável, como em fábricas e indústrias, os cuidados devem ser redobrados. Nesses casos, a proteção exige equipamentos mais robustos: o uso de abafadores do tipo concha é primordial. Esses dispositivos cobrem toda a orelha, garantindo um escudo mais eficaz contra o som que agride a audição de forma contínua.












