Cariacica (ES) – Frente ao cenário alarmante de mais de 100 casos suspeitos e 48 óbitos pelo ebola na República Democrática do Congo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África – ligado à União Africana – uniram forças. Lançaram nesta sexta-feira, dia 5, uma proposta robusta para enfrentar a doença em todo o continente.
O plano continental, com vigência entre junho e novembro de 2026, mira na captação de 518 milhões de dólares. O montante não é trivial: busca munir os países africanos e seus parceiros da agilidade necessária para preparar-se, detectar novos focos e, principalmente, responder à escalada do vírus. Este esforço vem para somar aos planos nacionais que a RDC e Uganda já haviam delineado.
A meta principal é costurar uma rede de proteção mais forte no continente, unificando a reação. Isso se traduz em coordenação de emergência, vigilância constante, testagem laboratorial eficiente e um controle rigoroso de infecções. Vai além, abrangendo cuidados clínicos, engajamento comunitário essencial, fomento à pesquisa, logística apurada e sustentação aos serviços básicos de saúde.
Para Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, a única saída para frear o surto reside numa aliança inquebrável, capitaneada pelas nações diretamente afetadas, num movimento de coordenação verdadeiramente unificado. Ele sublinhou, com clareza, que o cerne da contenção do ebola está no compromisso político sólido, num fluxo constante de recursos financeiros e, talvez o mais vital, na confiança e na participação ativa das comunidades. Sem elas – frisou – o rastreamento de contatos falha, o atendimento médico sofre atrasos e a disseminação do vírus segue seu curso implacável.
Do lado do CDC África, o diretor-geral Jean Kaseya jogou luz sobre a urgência do momento: o ebola não espera, sua velocidade exige que a África atue com igual ou maior rapidez. Para ele, o plano em questão traça um caminho inequívoco para que o continente reaja de forma veloz e coesa, garantindo vidas, amparando as nações atingidas e blindando as populações vizinhas.
Proteger os mais vulneráveis, fortalecer as defesas nas fronteiras e assegurar que cada país tenha respaldo para responder agilmente a novas ocorrências são eixos cruciais da estratégia. É preciso lembrar que, especificamente contra o vírus Bundibugyo, não existem vacinas nem tratamentos curativos. Por isso, o plano também delineia passos para tornar os sistemas de saúde mais resilientes, capazes de suportar mesmo as mais graves emergências. Medidas de contenção e fortalecimento já estão em prática nos territórios sob risco e nos diretamente impactados.
Enquanto a OMS e o CDC África intensificam seu suporte à RDC, há um apelo vibrante aos Estados-membros. Que reforcem a triagem e as práticas de saúde pública nos acessos do país, sim, mas também que estreitem laços de coordenação e solidariedade transfronteiriça. O objetivo é pavimentar uma resposta assertiva e tempestiva, embasada em evidências. Em meio a tudo isso, a mobilização não pode perder força para outras crises de saúde que persistem, como a varíola dos macacos (mpox), a cólera e o sarampo, lembrando que o ebola não é a única batalha.











