O número de queixas registradas à polícia sobre violência contra mulheres jornalistas dobrou desde 2020, revelando um padrão sistemático de abuso coordenado para silenciar profissionais da imprensa. A descoberta foi divulgada pela ONU Mulheres às vésperas do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, celebrado em 3 de maio, e mostra que esses ataques não são isolados, mas estratégicos.
Os números deixam clara a efetividade dessa campanha de intimidação. Entre todas as mulheres entrevistadas na pesquisa, 41% admitiram praticar autocensura nas redes sociais para evitar abusos, enquanto 19% relataram fazer o mesmo em seu trabalho profissional devido à violência sofrida online.
Para jornalistas e profissionais de mídia, a situação é ainda mais grave. Cerca de 45% desse grupo reportou autocensura nas redes sociais no ano passado, representando um aumento de 50% desde 2020. Já em ambiente profissional, quase 22% delas praticam autocensura como resultado direto da violência. O impacto psicológico é profundo: uma em cada quatro jornalistas recebeu diagnóstico de ansiedade ou depressão relacionadas aos abusos que sofrem.
O vazio nas leis de proteção
A pesquisa também expõe lacunas preocupantes no arcabouço legal global. Menos de 40% dos países do mundo possuem leis em vigor que protejam mulheres do assédio cibernético ou da perseguição online, conforme destacou o Banco Mundial no ano passado. Essa ausência de proteção legal deixa aproximadamente 1,8 bilhão de mulheres e meninas sem acesso a mecanismos de defesa adequados.
Apesar desse cenário desafiador, há sinais de que mulheres jornalistas e profissionais de mídia começam a buscar a justiça de forma mais ativa. Observa-se um aumento nas ações judiciais e denúncias às autoridades policiais, indicando maior disposição em enfrentar a violência em vez de simplesmente absorvê-la em silêncio.
O objetivo declarado desses ataques é duplo: silenciar mulheres na vida pública e destruir sua credibilidade profissional e reputação pessoal. Os dados sugerem que a estratégia está funcionando, mas também revelam que a resistência cresce à medida que mais profissionais decidem procurar as autoridades e justiça.









