Cerca de 1,7 mil militares da Marinha do Brasil e da Marinha Nacional da França participaram de um exercício na Ilha da Marambaia, na Costa Verde do Rio de Janeiro. A mobilização integra a Operação Jeanne d’Arc 2026, que reúne também integrantes da 9ª Brigada do Exército Francês e utiliza o porta-helicópteros francês Dixmude como base de operações, trazendo submarinos, veículos anfíbios e equipamentos terrestres para as atividades realizadas entre segunda e terça-feira.
Intercâmbio de técnicas e conhecimento
O comandante do 2º Batalhão de Infantaria de Fuzileiros Navais da Marinha Brasileira, Luiz Felipe de Almeida Rodrigues, aponta que o exercício funciona como intercâmbio de boas práticas, técnicas, táticas e procedimentos entre os países. Segundo ele, o Brasil compartilha experiências com o carro lagarta anfíbio, um veículo blindado capaz de transitar do navio para a terra, capacidade que os franceses ainda não possuem. Em contrapartida, os militares brasileiros usufruem do conhecimento francês com embarcações de desembarque e carros blindados avançados.
Para Rodrigues, a oportunidade de operar junto ao porta-helicópteros Dixmude é estratégica. “Ganhamos know-how para a utilização de navios anfíbios”, afirma o comandante, destacando como a experiência prepara as forças brasileiras para cenários futuros.
Atividades práticas e potencial do Dixmude
No primeiro dia, os profissionais se deslocaram a bordo do Dixmude do cais do porto no Rio até Itacuruçá, em Mangaratiba. Na terça-feira, foram realizados exercícios anfíbios combinados focados na transição do ambiente marítimo para o terrestre, incluindo tiros práticos, progressão em campo minado simulado e treinamento de primeiros socorros.
O navio francês Dixmude tem capacidade de transportar 650 soldados, 16 helicópteros, 110 veículos blindados e 13 tanques. Com quase 200 metros de comprimento e mais de 9 mil metros quadrados distribuídos em 12 andares, conta com hospital, capela, restaurante, academia e estruturas hoteleiras. O comandante do grupo francês, Jocelyn Delrieu, destaca a versatilidade da embarcação: atua como navio de assalto anfíbio capaz de projetar forças do mar para a terra usando veículos anfíbios ou helicópteros, funcionando também como navio-hospital.
Presença estratégica no Atlântico Sul
A presença da França reforça interesses diretos na região, especialmente relacionados à Guiana Francesa, além de consolidar o Brasil como principal ator naval do Atlântico Sul. Delrieu ressalta que a missão marca um legado de séculos da Marinha francesa. “Há 400 anos, a Marinha francesa está presente em todos os oceanos para proteger nossos interesses e trabalhar com parceiros e aliados”, comenta. A Operação Jeanne d’Arc 2026 durará cinco meses e passa por diversos países durante sua trajetória.








