Organizações de direitos civis dos Estados Unidos denunciam que a Suprema Corte cometeu um golpe contra a democracia ao derrubar o mapa eleitoral para o Congresso da Louisiana. A decisão, tomada por seis votos contra três, modificou os efeitos da Lei dos Direitos de Voto ao considerar que dois distritos de maioria negra foram desenhados com base excessiva em critérios raciais.
Derrick Johnson, presidente da NAACP, afirmou que a democracia americana “clama por socorro”. “A decisão de hoje é um golpe devastador para o que resta da Lei dos Direitos de Voto e uma licença para políticos corruptos que querem manipular o sistema silenciando comunidades inteiras. A Suprema Corte traiu os eleitores negros, traiu a América e traiu nossa democracia”, declarou.
O reverendo Al Sharpton, líder da National Action Network, comparou o resultado ao desmanche do legado de Martin Luther King. “A decisão de hoje é uma bala no coração do movimento pelos direitos de voto. O Dr. King não marchou pela Ponte Edmund Pettus para que seis juízes em Washington pudessem desfazer silenciosamente o que foi conquistado com sangue”, afirmou em comunicado.
Trump celebra e incentiva mudanças
O presidente Donald Trump comemorou abertamente a decisão. “Esse é o tipo de decisão que eu gosto”, disse aos jornalistas. Nas redes sociais, agradeceu ao governador da Louisiana, Jeff Landry, e encorajou o governador do Tennessee a alterar seus distritos eleitorais para beneficiar os republicanos, afirmando que isso ajudaria a “salvar nosso país dos democratas da esquerda radical”.
Gerrymandering se intensifica nos EUA
A prática de redesenhar distritos eleitorais, conhecida como gerrymandering, vem se acelerando desde que o Texas alterou seus mapas para favorecer republicanos. Califórnia, Missouri e Flórida seguiram o exemplo. Oito estados já modificaram seus mapas para as eleições parlamentares de 2026, com mudanças beneficiando republicanos no Texas, Missouri, Carolina do Norte, Ohio e Flórida, enquanto democratas avançam na Califórnia, Utah e Virgínia.
Um exemplo da distorção: na Flórida, onde a vice-presidente Kamala Harris obteve 43% dos votos há dois anos, o Partido Republicano pode controlar 86% das cadeiras da Câmara com os novos mapas.
Preocupação com direitos democráticos
A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) chamou a decisão do Supremo de “vergonhosa” e alertou que a Lei dos Direitos de Voto é a “espinha dorsal” da democracia multirracial americana. Alanah Odoms, diretora do ACLU de Louisiana, afirmou que políticos em todo o país interpretarão a decisão como “um sinal verde para implementar novas restrições e tentativas de suprimir nossos direitos de voto”.










