A Petrobras anunciou nesta sexta-feira o reajuste de 18% no preço do querosene de aviação (QAV), combustível essencial para aviões e helicópteros. O aumento corresponde a aproximadamente R$ 1 por litro em relação ao mês anterior. As distribuidoras poderão parcelar o reajuste em seis vezes, com primeira parcela prevista para julho de 2026.
O QAV representa quase metade dos custos operacionais das companhias aéreas, conforme dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). A Petrobras fixa o preço mensalmente, sempre no primeiro dia, utilizando uma fórmula vigente há mais de 20 anos que busca equilibrar os valores nacionais com os internacionais.
Contexto de guerra e pressão global
O reajuste ocorre em momento de turbulência no mercado internacional. A guerra no Irã, iniciada em 28 de fevereiro com ataques dos Estados Unidos e Israel, impulsionou os preços globais do petróleo. O barril tipo Brent, referência internacional, saltou de cerca de US$ 70 para aproximadamente US$ 120, aumento superior a 70%. A região concentra importantes produtores de petróleo e o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% da produção mundial, enfrentando bloqueios que prejudicam a logística.
Amortecimento de impactos
Embora significativo, o reajuste brasileiro permanece abaixo daqueles praticados nos mercados internacionais, onde ajustes ocorrem com maior frequência e refletem cotações em tempo real. A fórmula de cálculo da Petrobras funciona como amortecedor de curto prazo.
A companhia estatal controla cerca de 85% da produção de QAV, mas o mercado permanece aberto à concorrência de outras produtoras e importadoras. O parcelamento visa preservar a demanda e proteger a saúde financeira dos clientes sem prejudicar o equilíbrio contábil da estatal, segundo comunicado oficial.
Medidas governamentais
O governo federal implementou medidas para conter o impacto nas passagens aéreas. No dia 8 de maio, zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre o QAV até 31 de maio. Outras ações incluem adiamento de tarifas de navegação aérea devidas à Força Aérea e liberação de R$ 9 bilhões em crédito para companhias aéreas, operados pelo BNDES e Fundo Nacional de Aviação Civil.
Este foi o segundo grande reajuste em dois meses, após alta de 55% em abril. O parcelamento oferecido busca suavizar sucessivos impactos no setor aeronáutico brasileiro durante período de instabilidade geopolítica.











