A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, defende que o fim da escala 6×1, que oferece apenas um dia de folga semanal, é fundamental para ampliar o acesso das mulheres ao mercado de trabalho e melhorar sua qualidade de vida. Segundo ela, a mudança permitirá que elas cuidem melhor da saúde, das relações familiares e do próprio território.
A posição da ministra ganhou destaque quando o Congresso Nacional analisa o Projeto de Lei 1838/2026, apresentado pelo governo federal, que reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, garantindo dois dias de descanso remunerado sem perda salarial. O governo pediu urgência na tramitação do projeto, que aguardava despacho do presidente da Câmara, Hugo Motta, para votação.
Além do PL, tramitam duas Propostas de Emenda à Constituição no mesmo sentido. Na quarta-feira (29), a Câmara instalou uma comissão especial para analisar as propostas.
Mulheres carregam tripla jornada
Márcia Lopes é categórica ao apontar as mulheres como principais prejudicadas pela escala atual. Historicamente, ela explica, elas acumulam jornadas remuneradas com trabalho não remunerado em casa, cuidando de filhos, afazeres domésticos e estudos. Essa sobrecarga, agravada por estruturas machistas da sociedade, reduz oportunidades no mercado de trabalho.
Para a ministra, o fim da escala 6×1, combinado com políticas de igualdade salarial, abre caminho para as mulheres acessarem melhores condições de trabalho, beneficiando especialmente as mulheres negras e periféricas.
O hiato salarial persiste
Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho na segunda-feira (27) mostram que as mulheres recebem, em média, 21,3% menos que os homens no setor privado com mais de 100 funcionários. Ou seja, para cada R$ 1 mil que um homem ganha, a mulher recebe R$ 787. A Lei nº 14.611, de 2023, reforça a obrigatoriedade de igualdade salarial em empresas desse porte e exige transparência nos salários.
Impactos econômicos divergem
Enquanto a ministra aponta benefícios como redução do absenteísmo e maior acesso a cultura e lazer, estudos econômicos divergem sobre os efeitos. A Confederação Nacional da Indústria calcula uma perda de R$ 76 bilhões no PIB e aumento de 6,2% nos preços. A CNC estima aumento de 21% nos custos de folha de pagamento e pressão inflacionária de 13%.
Porém, pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sugere que os custos seriam similares aos impactos de reajustes históricos do salário mínimo, indicando capacidade de absorção pelo mercado.
Pressão das ruas
A ministra relata que grupos de mulheres já buscam articulação com os presidentes da Câmara e do Senado para pressionar pela aprovação. Ela reconhece posicionamentos contrários, mas aposta numa aprovação em breve. O tema é a principal bandeira das mobilizações de trabalhadores no 1º de Maio.










