O governo de Donald Trump argumenta que o cessar-fogo negociado com o Irã no dia 7 de abril interrompe a contagem do prazo de 60 dias para conduzir operações militares sem aprovação do Congresso americano. O prazo termina nesta sexta-feira, mas o secretário de Defesa Pete Hegseth afirmou em audiência no Senado que a suspensão do conflito também suspende o relógio constitucional.
“Estamos em um cessar-fogo neste momento, o que, segundo nosso entendimento, significa que o prazo de 60 dias fica suspenso ou interrompido durante um cessar-fogo”, declarou Hegseth perante o Comitê de Serviços Armados. A Casa Branca pode ainda prorrogar o prazo por mais 30 dias se o presidente certificar ao Legislativo uma “necessidade militar inevitável” para proteger as Forças Armadas, conforme a Resolução dos Poderes de Guerra de 1973.
Pressão democrata e divisão republicana
O senador democrata Tim Kaine questionou a interpretação da administração, argumentando que o prazo constitucional encerra nesta sexta-feira independentemente do cessar-fogo. Parlamentares democratas e alguns republicanos têm cobrado que Trump busque autorização formal do Congresso. Pelo menos seis tentativas de barrar o conflito foram rejeitadas pela maioria republicana.
Porém, rachaduras surgem no partido do presidente. A senadora Susan Collins votou a favor de restrições aos poderes de guerra de Trump, junto com o senador Rand Paul, divergindo da liderança republicana. A senadora questionou a inexistência de provas sobre ameaças iminentes iraniana e afirmou que os EUA não estão mais seguros por causa da guerra.
Impacto na população e eleições
Mais de 60% dos americanos se opõem à guerra, segundo pesquisas de opinião. A insatisfação se deve principalmente ao aumento vertiginoso dos combustíveis. O galão de gasolina custava em média US$ 4,39 nos EUA nesta sexta-feira, representando alta de 34% em relação ao ano anterior. Na Califórnia, atinge US$ 6,06, com preços nos níveis mais altos em quatro anos.
O historiador James N. Green, da Universidade de Brown, prevê que a questão será judicializada até a Suprema Corte. Mesmo que a Corte favoreça Trump, a controvérsia deve fortalecer o sentimento antiguerra entre democratas e aumentar a insatisfação dentro do próprio partido republicano. Os EUA vão às urnas em novembro para renovar a Câmara e parte do Senado, momento em que a impopularidade da guerra pode alterar significativamente o equilíbrio de forças no Congresso.









