Cachoeiro do Itapemirim (ES) – A disputa pelo comando do Peru vive um novo capítulo de incerteza. Na manhã desta quinta-feira (11), a candidata conservadora Keiko Fujimori reverteu o quadro da apuração e assumiu a liderança do segundo turno presidencial, superando Roberto Sánchez Palomino por uma margem mínima de 561 votos. Em um universo de 27 milhões de eleitores, o placar agora registra 9.032.632 votos para Fujimori contra 9.032.092 para Sánchez.
A virada foi consolidada após a totalização dos votos vindos do exterior, onde a candidata obteve 63,4% da preferência, frente aos 36,5% do adversário de esquerda. O nível de processamento das urnas alcançou 98,2%, mas o desfecho oficial ainda parece distante. O Jurado Nacional Eleitoral (JNE) do país informou que o resultado definitivo só deve ser anunciado em julho, devido à existência de 1,4 mil atas que foram questionadas e seguem sob análise técnica.
Essa contagem paralela e o ambiente de desconfiança institucional refletem um sistema político fragmentado. Gustavo Menon, professor de Integração da América Latina na Universidade de São Paulo (USP), observa que a concentração dessas urnas em observação, localizadas majoritariamente em Lima — reduto de Fujimori —, pode favorecer a candidata. Para o especialista, esse cenário de paridade extrema expõe um país cindido: de um lado, o fujimorismo e sua agenda de continuidade liberal; de outro, a proposta de refundação do Estado defendida por Sánchez.
O eleito terá uma missão complexa pela frente. Será o nono presidente a ocupar o cargo em apenas dez anos de uma crise que já resultou em duas renúncias e quatro destituições parlamentares. A estabilidade parece um horizonte distante em uma nação onde o Legislativo atua como o poder real, impondo obstáculos constantes a qualquer tentativa de governabilidade.
A trajetória da apuração tem sido uma montanha-russa. Inicialmente, Keiko liderou por 200 mil votos quando os primeiros boletins de Lima foram processados. Na segunda-feira (8), com 93,9% das urnas apuradas, Sánchez virou o jogo e chegou a abrir uma frente de 40 mil votos, antes de ser alcançado novamente pela candidata da direita.
O peso do passado também atravessa o pleito. Keiko, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, busca quebrar um ciclo de três derrotas consecutivas em segundos turnos, ocorridas em 2011, 2016 e 2021. Já Roberto Sánchez, psicólogo e aliado do ex-presidente Pedro Castillo, tenta capitalizar o apoio das parcelas rurais e indígenas. A tensão política atingiu tal nível que, logo após votar no domingo (7), Sánchez dirigiu-se ao presídio de Barbadillo, onde Castillo cumpre pena, para aguardar os resultados. O embate, que define o destino do país para o período de 2026 a 2031, segue em suspenso, mantendo o Peru em alerta máximo.









