Washington, Estados Unidos – Com a Copa do Mundo de 2026 no horizonte, a política migratória dos Estados Unidos — um dos países-sede — já desponta como um tema central e controverso. O presidente Donald Trump, em mais uma de suas declarações diretas, afirmou que o governo está empenhado em garantir que apenas as “pessoas certas” consigam cruzar as fronteiras americanas.
A fala surgiu como resposta a um questionamento de repórteres sobre as crescentes dificuldades que torcedores enfrentam para obter vistos de entrada no país, às vésperas de uma competição que atrairá milhões de estrangeiros. O endurecimento das regras migratórias, uma marca da gestão Trump, impôs um rigor que já reflete em situações concretas e, para muitos, preocupantes.
Fifa e as polêmicas no campo político
Não foram apenas as regras de imigração que colocaram o torneio sob os holofotes. A própria Fifa, guardiã do futebol mundial, teve de intervir em uma questão que tangencia a política: o uniforme da seleção do Haiti. A empresa Saeta, responsável pela confecção das camisas, confirmou que a Federação Haitiana de Futebol foi alertada sobre a presença de elementos que poderiam ser vistos como manifestação política.
No site da fabricante, imagens do uniforme mostram uma ilustração que remete à Batalha de Vertières, um confronto de 1803. O episódio é histórico para o Haiti, pois é considerado decisivo para a sua independência do domínio francês. A discussão sobre o que pode ou não ser exibido nas camisas dos atletas reacende o debate sobre a neutralidade política no esporte.
Sonho interrompido e um retorno de herói
Um dos casos mais emblemáticos da rigidez migratória envolveu o árbitro somali Omar Artan. Ele tinha a perspectiva de ser o primeiro árbitro de seu país a participar de uma Copa do Mundo, um feito notável. No entanto, Artan foi impedido de entrar nos Estados Unidos, apesar de possuir um visto válido. O sonho, por ora, precisou ser adiado.
De volta a Mogadíscio, a capital da Somália, Artan foi recebido como um herói. Em um estádio lotado, torcedores o aplaudiram e o incentivaram a não desistir da carreira. A Fifa, por sua vez, declarou não ter ingerência em questões migratórias dos países-sede. O Canadá, que também abrigará jogos da Copa de 2026, agiu de forma diferente e publicamente fez um convite ao árbitro, afirmando que ele seria bem-vindo em seu território.
Protesto com broches em Tijuana
Ainda na esteira das tensões políticas, a seleção do Irã protagonizou um protesto silencioso ao desembarcar em Tijuana, no México. Os jogadores usavam um broche em homenagem às vítimas de um ataque ocorrido em uma escola na cidade de Minab, no sul do Irã. O acessório trazia o número 168, em referência ao total de mortos no bombardeio.
Autoridades iranianas indicaram que a maioria das vítimas era composta por meninas e estudantes. O governo iraniano atribui o ataque aos Estados Unidos e acusa Washington de violação dos direitos humanos e de cometer um crime de guerra. As ações dos atletas iranianos, portanto, adicionaram mais uma camada de complexidade política ao cenário que antecede o mundial.










