Washington, Estados Unidos – Uma mudança significativa na postura diplomática de Washington impacta diretamente o cenário de segurança pública no Brasil. A partir do próximo dia 5 de junho, o governo norte-americano passará a classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, conforme oficializado na quinta-feira, 28 de novembro. A decisão, fundamentada em uma ordem executiva do presidente Donald Trump e na seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade, eleva o status jurídico de ambas as facções no solo americano.
Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, fundamentou a medida descrevendo as facções como as entidades criminosas mais agressivas operando no Brasil. Para Rubio, a escala dessas redes transcende o território nacional, projetando tentáculos ilícitos por diversos países das Américas e ordenando atentados diretos contra autoridades, agentes da lei e cidadãos comuns. O diagnóstico de Washington é claro: trata-se de um problema que exige uma resposta militarizada.
A reação em Brasília revela um desconforto evidente. Nos últimos meses, o governo brasileiro trabalhou nos bastidores para evitar o selo de terrorismo. O temor central é a soberania. Diplomatas e especialistas em segurança enxergam na manobra um prelúdio para sanções econômicas ou até justificativas para intervenções externas, movidas por uma doutrina de combate ao chamado narcoterrorismo. Há também o receio de que o intercâmbio de dados de inteligência sofra uma guinada perigosa, transferindo a coordenação das operações brasileiras para esferas da CIA ou departamentos militares dos EUA.
A guinada de Trump para a América Latina tem contornos de força. O precedente recente, marcado pelo bombardeio de embarcações no Caribe e a invasão do território venezuelano para a deposição de Nicolás Maduro, sinaliza que a designação não é meramente burocrática. O risco de ações unilaterais em solo brasileiro, embora guarde contornos de incerteza, entrou definitivamente na agenda.
O momento político confere uma camada extra de tensão. Dias antes do anúncio, o presidente Lula esteve na Casa Branca tratando de estratégias de asfixia financeira contra o crime transnacional. Contudo, o chefe do Executivo brasileiro negou que as discussões tivessem mirado facções específicas. Simultaneamente, o cenário em Washington foi palco para articulações da oposição brasileira. O senador Flávio Bolsonaro, acompanhado do irmão Eduardo — atualmente foragido nos EUA —, encontrou-se com Marco Rubio e o próprio Trump na quarta-feira, 27 de novembro, véspera da oficialização da nova diretriz contra o CV e o PCC.









