Cariacica (ES) – O relógio corre contra mais de cinco milhões de brasileiros que deixaram o acerto de contas com o Leão para a última hora. Até ontem, quinta-feira (28), um contingente de 5,1 milhões de pessoas — equivalente a 11,5% do total de contribuintes esperados — ainda não havia enviado a declaração do Imposto de Renda. O prazo fatal termina de forma improrrogável às 23h59 desta sexta-feira (29).
Quem perder o cronograma terá de arcar com o bolso. A multa mínima pelo atraso é de R$ 165,74, mas esse valor pode escalar para até 1% do imposto devido, dependendo do caso — valendo sempre a maior taxa. Contudo, o prejuízo financeiro é apenas a ponta do iceberg. A Receita Federal congela a situação do CPF do contribuinte atrasado, alterando seu status para “pendente de regularização”.
As amarras de um CPF irregular vão muito além de pendências burocráticas básicas. O auditor-fiscal José Carlos Fonseca alerta que a ausência do documento regular impede atividades cotidianas e essenciais. Bancos fecham as portas para novos clientes nessas condições e negam empréstimos. Até mesmo a emissão de passaporte fica bloqueada pelo órgão federal, limitando o direito de ir e vir do cidadão que falhou no prazo.
Estar inadimplente em anos anteriores ou preso nas malhas do Fisco no passado recente não anula o compromisso atual. A obrigação deste ano permanece ativa e exige um novo envio. O sistema de recepção de dados está ativo desde 19 de março.
Nesta temporada, as regras de corte obrigam a prestação de contas de quem recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584 ao longo do ano de referência. Quem atua no campo também entra na mira caso a receita bruta da atividade rural ultrapasse R$ 177.920. Na outra ponta da tabela, quem teve ganhos mensais limitados a dois salários mínimos em 2025 está livre de prestar esclarecimentos, desde que não se enquadre em outras categorias obrigatórias específicas de declaração.
Como os brasileiros estão preenchendo as fichas
A tecnologia moldou a maneira como o brasileiro lida com os impostos, mas a tradição do computador doméstico ainda domina amplamente. O tradicional programa instalado no desktop foi o caminho escolhido por 78,1% dos declarantes. Outros 15,5% preferiram a flexibilidade do preenchimento on-line diretamente nos servidores do Fisco, mantendo o rascunho salvo na nuvem, enquanto uma parcela mais ágil de 6,4% utilizou os aplicativos móveis desenvolvidos para celulares e tablets.
Facilidades eletrônicas e descontos preferidos
A declaração pré-preenchida, ferramenta que puxa dados fiscais de forma automática para poupar o trabalho do declarante, consolidou sua utilidade ao ser utilizada por 59,6% das pessoas que já enviaram os arquivos. O contribuinte precisou apenas validar ou corrigir pontualmente os números mostrados. Quanto ao formato da cobrança ou restituição, a escolha pelo modelo simplificado, que aplica o desconto padrão de forma imediata, foi a saída mais atraente para 55% dos contribuintes que já cruzaram a linha de chegada tributária.











