Brejetuba (ES) – Cerca de 41 milhões de colombianos estão convocados para ir às urnas neste domingo, 31, em um pleito que definirá os rumos do país entre 2026 e 2030. A eleição não apenas busca um sucessor para Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda da história do país, mas coloca a Colômbia em uma encruzilhada geopolítica: manter o atual distanciamento da influência estadunidense ou retornar ao alinhamento tradicional com Washington.
Com 14 nomes na disputa, a corrida eleitoral está afunilada em três figuras centrais que buscam o lugar no segundo turno, marcado para 21 de junho. O voto, convém lembrar, não é obrigatório na Colômbia. À frente das intenções de voto aparece Iván Cepeda, filósofo e senador que carrega a bandeira do Pacto Histórico de Petro. Sua trajetória é marcada pelo combate direto ao uribismo; o candidato foi peça-chave na denúncia do caso dos falsos positivos, escândalo que revelou o assassinato de 7,8 mil civis por militares durante o governo de Álvaro Uribe entre 2002 e 2008, sob a premissa de inflar números de combate a guerrilheiros.
Cepeda, filho de Manuel Cepeda Vargas — senador de esquerda executado em 1994 por agentes estatais e paramilitares —, teve que viver no exílio entre 1998 e 2004 devido a ameaças de morte. Agora, ao lado de Aida Quilcue, uma liderança indígena, ele tenta consolidar as reformas trabalhista, agrária e previdenciária promovidas pelo governo atual. O crescimento de sua candidatura também se apoia em uma melhora na aprovação de Petro, que saltou de 23% para 49,1% em fevereiro, segundo dados da consultoria Invamer.
Do outro lado do espectro, a direita tradicional aposta na senadora Paloma Valencia, do Centro Democrático. Fiel seguidora de Álvaro Uribe — a quem promete oferecer o Ministério da Defesa, caso eleita —, ela representa uma resistência feroz aos acordos de paz firmados com as Farcs em 2016. Enquanto isso, o terreno da extrema-direita é ocupado por Abelardo de La Espriella, um advogado milionário que estreia na política nacional. Espriella é um autodeclarado entusiasta de Javier Milei e Donald Trump. Ele deixou uma vida de luxo na Itália para vender a imagem de um outsider com uma plataforma focada no endurecimento penal.
A tensão, no entanto, vai além dos palanques. Enquanto a política oficial debate os termos da Paz Total — a tentativa de encerrar seis décadas de conflitos internos —, a realidade nas províncias narra outra história. Apenas em fevereiro de 2025, 52 mil pessoas foram deslocadas em Catatumbo devido a enfrentamentos armados. Na última quinta-feira, 28, um combate entre dissidências das Farcs deixou 52 mortos, reforçando que, independentemente de quem vencer, o sucessor de Petro herdará um terreno extremamente instável.
Geopoliticamente, o país vive um momento decisivo. A manutenção do legado de Petro sinaliza a continuidade de uma parceria com o Brasil em pautas regionais. Já uma vitória de Valencia ou de La Espriella traria o inevitável retorno à agenda estrita dos Estados Unidos. Contudo, as pesquisas para o segundo turno permanecem um emaranhado de dados, com cenários flutuantes que impedem qualquer previsão concreta sobre o próximo ocupante da Casa de Nariño.








