Vila Velha (ES) – A disparidade de renda não é apenas um problema macroeconômico; ela dita o destino de milhões de crianças, mesmo em países desenvolvidos. Bo Viktor Nylund, diretor do Instituto Innocenti, alerta que o abismo financeiro drena o potencial de aprendizado, a qualidade da alimentação e a saúde mental dos jovens. O cenário é alarmante: crianças em ambientes de alta desigualdade têm 70% mais chances de sofrer com excesso de peso do que aquelas em sociedades mais equitativas.
O impacto na sala de aula reflete essa divisão. Enquanto países com menor desigualdade registram uma taxa de 40% de alunos com dificuldades básicas de leitura e matemática, esse índice salta para 65% em nações onde o fosso social é maior. A saúde também segue o mesmo padrão de exclusão: apenas 58% das crianças do quintil de menor renda possuem um estado de saúde considerado muito bom, contra 73% entre os jovens de famílias mais abastadas.
Diante desse quadro, o Unicef pressiona governos por políticas públicas concretas para conter a pobreza infantil. O organismo recomenda o fortalecimento das redes de proteção social e subsídios para habitação em áreas vulneráveis. Combater a segregação socioeconômica nas escolas e investir em soluções de bem-estar infantil são passos cruciais para que o CEP de nascimento não defina o futuro de uma criança.










