Brasília (DF) – O ministro Guilherme Boulos posicionou-se contra qualquer tipo de compensação financeira a empresas para viabilizar o fim da escala 6×1. Durante audiência pública na Câmara, o titular da Secretaria-Geral da Presidência ironizou a demanda de setores empresariais, comparando a sugestão a um hipotético subsídio pago a patrões quando o salário mínimo é reajustado. “Se alguém propusesse isso, talvez fosse alvo de chacota”, disparou, questionando por que o Estado deveria financiar o que chamou de “bolsa patrão”.
A discussão ganha contornos de urgência com a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas. Rick Azevedo, vereador no Rio de Janeiro e fundador do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), trouxe o peso da experiência pessoal ao debate. Ele relembrou os 12 anos em que passou por supermercados e call centers, descrevendo a exaustão física e mental de uma rotina que, segundo ele, priva o trabalhador de sua dignidade e sentimento de pertencimento à sociedade.
Enquanto o setor produtivo insiste em uma implementação gradativa, o governo e lideranças da Câmara articulam uma estratégia dupla: a PEC para a mudança constitucional e um projeto de lei, com urgência, para ajustes específicos em categorias profissionais. A grande pendência, contudo, permanece na mesa de negociações: definir se haverá algum período de transição ou concessão aos empresários. Para Boulos, o argumento da compensação é insustentável, especialmente quando se trata de garantir o descanso semanal de dois dias aos trabalhadores brasileiros.










