Rio de Janeiro (RJ) – Lideranças globais se encontraram no Rio de Janeiro nesta segunda-feira (2) e fizeram um apelo veemente: as agendas de clima, biodiversidade e combate à desertificação precisam convergir urgentemente. Ignorar essa interconexão, foi a tônica do dia, seria prolongar uma crise que exige ação coordenada, e não mais discussões isoladas.
A pauta ecoou forte na Rio Nature & Climate Week (RNCW), evento que, até o dia 6 de junho, busca fortalecer a influência do Brasil e das nações do Sul Global nas conversas internacionais sobre sustentabilidade. Em painéis com representantes dos setores público, privado, acadêmico e da sociedade civil, o clima, a natureza e o próprio desenvolvimento foram colocados em perspectiva.
Um dos debates mais aguardados reuniu Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa; Ana Toni, diretora-executiva da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30); e Alain-Richard Donwahi, presidente da 15ª Convenção das Nações Unidas para Combate à Desertificação e à Seca (UNCCD COP15). Para eles, a articulação entre esses três grandes acordos – que por sinal nasceram de uma Conferência da ONU no Rio em 1992 – é um passo inadiável.
Ana Toni foi direta: “Por que ter três convenções para tratar do mesmo problema? Porque, no final, estamos falando da nossa relação com a natureza”. Ela sugeriu que a recuperação de áreas produtivas e ecossistemas degradados poderia ser o grande elo, uma agenda capaz de mobilizar os esforços. Estamos falando, afinal, de recuperar 250 milhões de hectares até 2030, meta que impacta diretamente o clima, a desertificação e a biodiversidade.
Natalie Unterstell vislumbra o Rio de Janeiro como o berço renovado dessa integração. “Temos grandes ambições de fazer da cidade, que é o berço das três convenções, ser berço da junção e da integração entre elas”, afirmou. Para ela, não é uma questão apenas conceitual; é a pragmática busca por resultados mais rápidos, evitando a custosa triplicação de esforços.
Já Alain-Richard Donwahi defendeu uma ideia central que amarra as pontas soltas: a questão da desertificação e a restauração de terras. É o solo, disse ele, que sustenta o ciclo da água, essencial para o clima, e que abriga a biodiversidade. “Não podemos continuar falando de três convenções separadas. Precisamos agir como uma só. Três equipes, uma convenção”, clamou. Ele expressou uma frustração comum: os países acumulam muitas reuniões e “boas decisões”, mas falta aplicar os compromissos porque o trabalho conjunto não acontece. Um paradoxo que a semana no Rio tentará, de alguma forma, dissolver.












