Ipojuca (PE) – Um longo imbróglio ambiental no litoral de Ipojuca, em Pernambuco, caminha para um desfecho definitivo. A 35ª Vara Federal determinou a demolição total de um muro de 570 metros erguido no Pontal de Maracaípe. A estrutura, feita de troncos de coqueiro, isola uma área de praia privada e enfrenta questionamentos judiciais desde 2022.
O bloqueio, que inicialmente contava com aval da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) sob o argumento de conter erosão, foi desautorizado após vistorias do Ibama. Peritos apontaram que a barreira ocupa indevidamente terrenos da União e áreas de preservação permanente. Além de dificultar a circulação de pedestres, a obra impõe barreiras físicas ao manguezal e coloca em risco o ciclo reprodutivo de tartarugas marinhas.
O proprietário tem até o final deste mês para retirar os troncos e realizar a destinação correta dos resíduos. Caso ignore a ordem, o Ibama e a CPRH assumirão o serviço, repassando os custos ao responsável. A decisão atende a um pedido da Advocacia-Geral da União, que destacou o perigo dos sacos de ráfia utilizados na fixação, cujos fragmentos plásticos ameaçam a fauna local e as raízes dos mangues.
A disputa ganha contornos mais complexos ao incluir falhas graves nos estudos de impacto ambiental do empreendimento imobiliário vizinho. O Ministério Público Federal aponta omissões sobre a proteção de cavalos-marinhos e a ausência de diálogo com as comunidades tradicionais. Mesmo após tentativas anteriores de demolição, seguidas de reconstruções rápidas amparadas por decisões estaduais, a determinação federal atual coloca um ponto final na ocupação da faixa de areia.













