Genebra, Suíça – A corrida contra o tempo para conter o surto de ebola na África ganhou um horizonte de espera. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o imunizante capaz de combater a cepa específica que atinge a República Democrática do Congo (RDC) e Uganda ainda deve levar de seis a nove meses para estar disponível à população. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (20), em Genebra, pelo consultor Vasee Moorthy, que lidera a frente de pesquisa e desenvolvimento da entidade.
O foco atual recai sobre a cepa Bundibugyo, apontada como a responsável pelos casos recentes. O desafio, no entanto, é prático: embora a vacina prioritária já esteja em desenvolvimento, não existem doses suficientes para ensaios clínicos imediatos. Uma segunda alternativa, também em fase de estudos, poderia ter doses para testes em humanos em dois ou três meses, mas o sucesso depende dos resultados preliminares em animais — um cenário que ainda carrega muitas incertezas.
Os números da crise revelam a dimensão do desafio sanitário. A OMS contabiliza 139 mortes e quase 600 casos suspeitos na região. Embora 51 contaminações tenham sido confirmadas oficialmente em províncias ao norte da RDC, as autoridades admitem que a escala real do surto é provavelmente superior. Em Uganda, o quadro é monitorado de perto após a confirmação de um caso importado na capital, Kampala, que resultou em uma morte e na transferência de um paciente norte-americano para a Alemanha.
A situação escalou rapidamente após alertas sobre uma doença misteriosa em Mongbwalu, na província de Ituri, que vitimou até profissionais de saúde. Após análises laboratoriais confirmarem o vírus Bundibugyo em amostras de sangue, a RDC declarou oficialmente o seu 17º surto de ebola. Diante da gravidade, a OMS classificou o cenário nos dois países como uma emergência de saúde pública de importância internacional, validando a preocupação com a rápida dispersão do patógeno pelas fronteiras.










