Bahia (BA) – Uma iniciativa ambiciosa do projeto Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB), conduzida pelo Instituto Tecnológico Vale (ITV), está mudando a forma como mapeamos a vida marinha. Em vez de redes de pesca ou observação visual, os pesquisadores agora analisam amostras de água coletadas em reservas extrativistas do sul da Bahia para identificar espécies por meio do DNA ambiental (eDNA).
A técnica, conhecida como metabarcoding, identifica o material genético que animais deixam para trás — seja em escamas, fezes ou células da pele — enquanto circulam pelo ambiente. Coordenado pelo Centro Tamar/ICMBio em parceria com as RESEXs de Corumbau e Cassurubá, o trabalho permite catalogar peixes, invertebrados e até espécies invasoras com muito mais agilidade, sem a necessidade de capturar os animais.
Segundo Amely Branquinho Martins, coordenadora do GBB pelo ICMBio, o método funciona como uma ferramenta complementar aos modelos tradicionais de monitoramento. O projeto-piloto, que coletou amostras em 30 pontos estratégicos, foca em espécies de interesse econômico e também em ameaças, como o peixe-leão e o coral-sol. Os dados, processados no laboratório do ITV em Belém, serão fundamentais para subsidiar políticas públicas de conservação.
O GBB não se limita ao mapeamento atual; ele funciona como uma “cápsula do tempo” genética. O coordenador do projeto, Alexandre Aleixo, explica que o sequenciamento ajuda a entender como as espécies enfrentaram mudanças climáticas no passado. Esse conhecimento é vital para prever a resiliência da fauna diante dos desafios ambientais futuros, transformando o genoma em um guia estratégico para a sobrevivência das nossas espécies.













