Brasília (DF) – O Ministério Público Federal (MPF) acionou a Justiça Federal solicitando celeridade no julgamento da ação civil pública contra a União. O alvo da disputa é a série de manifestações da Marinha do Brasil que, na visão dos procuradores, insistem em difamar a memória de João Cândido Felisberto, líder da histórica Revolta da Chibata, ocorrida no início do século 20.
No novo requerimento, o MPF defende que os danos morais coletivos estão amplamente comprovados pelos fatos narrados na petição. O órgão pleiteia uma indenização de R$ 5 milhões por ano e exige que a Justiça proíba a Marinha de emitir novos comunicados que desabonem o “Almirante Negro”. Segundo o procurador Julio Araujo, autor da ação iniciada em abril de 2024, a postura da força militar configura uma perseguição institucional contínua.
O conflito ganhou força quando a Marinha se posicionou contra a inclusão de João Cândido no Livro de Heróis e Heroínas da Pátria. Em documento assinado pelo comandante Marcos Sampaio Olsen, a revolta foi classificada como uma “página deplorável”. Para o MPF, essa retórica ignora a lei federal de anistia e revitimiza a população negra, tratando como crime uma luta legítima contra castigos físicos e condições degradantes a bordo dos navios.
Conforme apurado pelo Feed Editoria, a importância de João Cândido vai além da rebeldia. O historiador José Murilo de Carvalho, da UFRJ, recordava que o marinheiro mantinha uma relação complexa com a instituição, respeitando a disciplina, mas exigindo dignidade. Adalberto Candido, filho do líder, corrobora essa visão: seu pai, mesmo após a expulsão, nutria um afeto profundo pela Marinha que o formou e, ironicamente, o perseguiu.










