Brasília (DF) – A Polícia Federal encerrou as negociações para um acordo de delação premiada com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Os investigadores concluíram que as informações entregues pelo banqueiro apresentavam inconsistências graves quando confrontadas com o vasto conjunto de provas reunido desde 2024, ano em que a corporação iniciou as apurações sobre a emissão irregular de títulos financeiros.
A decisão já chegou às mãos do ministro André Mendonça, relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal que investiga fraudes bilionárias contra o Sistema Financeiro Nacional. Embora a PF tenha fechado a porta para a colaboração neste momento, o canal não está selado permanentemente: caso o banqueiro apresente fatos novos e realmente relevantes, o cenário pode mudar. Enquanto isso, a Procuradoria-Geral da República (PGR) mantém sua análise independente sobre a proposta.
A situação de Vorcaro se complicou nos últimos dias. Após ser preso preventivamente na Operação Compliance Zero em novembro passado e passar um período em liberdade, ele voltou ao cárcere em março, durante a terceira fase da ofensiva policial. O banqueiro, que chegou a ocupar uma sala especial na Superintendência da PF em Brasília como parte das tratativas, foi transferido para uma cela comum após o desgaste das negociações, enfrentando agora o risco real de retornar à Penitenciária Federal.
Caberá exclusivamente ao ministro André Mendonça dar a palavra final sobre qualquer eventual acordo, seguindo os ritos da Lei de Organização Criminosa. O magistrado, por vedação legal, não participa das conversas entre a defesa e os órgãos de investigação. Caso a PGR decida seguir com o trato, as cláusulas — que incluem a devolução de valores desviados e a confissão integral sobre as operações do Banco Master — precisarão passar pelo crivo de Mendonça para garantir benefícios como a redução de pena.












