Brasília (DF) – O governo federal alcançou em abril um marco inédito para o período desde o início da série histórica, em 1995: a arrecadação de R$ 278,8 bilhões em impostos e contribuições. Os números da Receita Federal revelam um salto real de 7,82%, já descontada a inflação, na comparação com o mesmo mês de 2025. No acumulado do quadrimestre, o montante chega a R$ 1,05 trilhão, consolidando o período como o mais robusto já registrado pelo fisco até hoje.
O desempenho é reflexo direto de uma engrenagem econômica aquecida. O aumento do trabalho formal impulsionou a receita previdenciária para R$ 62,7 bilhões, enquanto o consumo sustentou a alta do PIS e da Cofins. A reoneração gradual da folha de pagamentos e as mudanças tributárias sobre operações cambiais também deixaram sua marca. Já o Imposto de Renda sobre aplicações financeiras — reformulado no ano passado — ajudou a elevar a arrecadação sobre rendimentos de capital para R$ 13,2 bilhões.
A força do petróleo e o lucro das empresas
O setor de petróleo e gás foi um protagonista à parte. Com a valorização da commodity impulsionada pelas tensões no Oriente Médio, a arrecadação ligada ao setor disparou 541% em abril, somando R$ 11,4 bilhões. Esse cenário de preços altos no mercado internacional beneficiou o caixa do governo via royalties e tributos, elevando o acumulado do ano para R$ 40,2 bilhões no segmento.
Paralelamente, o IRPJ e a CSLL totalizaram R$ 64,8 bilhões, um crescimento real de 7,73%. Para a Receita, o dado é um termômetro claro: as empresas brasileiras ampliaram seus lucros tributáveis. O salto de 94,74% na arrecadação sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP) reforça essa leitura, mostrando que a remuneração aos acionistas acompanhou o ritmo de uma economia que, ao menos nos cofres públicos, operou em marcha acelerada durante o mês.











