Washington, Estados Unidos – O Palácio do Planalto enfrenta um momento de tensão crescente com a diplomacia comercial dos Estados Unidos. Nesta terça-feira (2), o escritório do representante de comércio norte-americano colocou o Brasil em uma lista de 60 nações acusadas de falharem no bloqueio à entrada de itens fabricados via trabalho forçado. A bronca não mira necessariamente o que é produzido em solo nacional, mas sim o rigor das nossas barreiras contra mercadorias oriundas de países que adotam esse sistema.
O impacto dessa política pode se converter em cifras reais: o governo americano avalia a aplicação de uma sobretaxa de 12,5% sobre produtos vindos do Brasil. A lista de visados é extensa e inclui parceiros estratégicos como Argentina, Chile, Colômbia, Índia, Peru, Rússia, Uruguai, Venezuela e a África do Sul. Outros países, a exemplo da Inglaterra e nações da União Europeia, enfrentam risco um pouco menor, com a proposta de tarifação de 10%.
Quem estiver otimista com um recuo terá de aguardar. As medidas entraram em uma fase de consulta pública que se estende até o mês de julho. É somente após esse intervalo que Washington decidirá o formato definitivo da punição e se, de fato, a implementará no cotidiano das trocas comerciais.
Para complicar o xadrez econômico do governo, essas potenciais novas taxas acumulam-se sobre um anúncio anterior. Na última segunda-feira (1º), os norte-americanos já haviam sinalizado uma taxação de 25% sob a justificativa de que o Brasil pratica concorrência desleal. Esse montante adicional tem potencial para vigorar já a partir do dia 15 de julho.
Clima de reunião de crise
A situação econômica, que já não era simples, ganhou um contorno de segurança nacional com a classificação, por parte de órgãos dos Estados Unidos, de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. A decisão abre margem para bloqueios e monitoramento severo sobre o fluxo de capitais vindos do Brasil, um detalhe que certamente monopolizará as atenções.
Diante desse cenário de dupla frente de pressão, a pauta da reunião ministerial convocada pelo presidente Lula para esta quarta-feira (3) já está definida. A equipe econômica e os ministros da área externa tentam articular uma estratégia que neutralize as ameaças de Brasília antes que as datas limites de julho convertam essas intenções de taxação em um problema concreto para o setor produtivo nacional.









