Ibatiba (ES) – O governo federal lançou o Novo Desenrola em resposta ao cenário crítico de endividamento das famílias brasileiras. Especialistas apontam que a combinação da elevada taxa Selic com os abusivos spreads bancários — a diferença entre o custo de captação dos bancos e o valor cobrado ao consumidor — tem asfixiado o orçamento doméstico e freado a atividade econômica no país.
De acordo com dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC), o nível de famílias endividadas atingiu 80% em abril, um patamar histórico. O impacto é severo entre as famílias de baixa renda, que ganham até três salários mínimos, grupo que registra as maiores taxas de inadimplência. A precarização do mercado de trabalho, fruto de reformas estruturais, agrava essa dependência do crédito para o custeio de despesas básicas.
O Brasil figura no topo do ranking global de spreads bancários, superando amplamente a média mundial de 6 pontos percentuais. Enquanto o Banco Central defende a Selic alta como ferramenta de controle inflacionário, economistas como Maria de Lourdes Mollo (UnB) e Juliane Furno (UFF) alertam para a “bola de neve” financeira, onde juros estratosféricos no rotativo do cartão de crédito impedem a quitação de débitos e perpetuam o ciclo de inadimplência.
O Novo Desenrola surge como uma tentativa de alívio, oferecendo descontos de até 90% e condições especiais por 90 dias, incluindo o uso do FGTS. Contudo, especialistas reiteram que, sem uma revisão estrutural na política monetária e nos custos operacionais dos bancos, o acesso ao crédito continuará sendo um desafio para o desenvolvimento econômico e o bem-estar das famílias brasileiras.










