O Museu da Imagem e do Som (MIS) do Rio de Janeiro abriu suas portas ao público com uma abertura parcial no prédio histórico da Avenida Atlântica, em Copacabana, marcando o fim de quase vinte anos de obras e expectativa. A primeira exposição, intitulada Arquitetura em Cena – o MIS Copa antes da Imagem e do Som, revela os bastidores da construção do novo espaço e oferece um vislumbre do que será a experiência cultural completa quando o complexo for finalizado, com inauguração prevista para o primeiro trimestre de 2025.
Projetado em 2008 através de um concurso internacional de arquitetura promovido pela Fundação Roberto Marinho, o edifício foi concebido pelo renomado escritório americano Diller Scofidio + Renfro. O projeto impressiona pela integração harmoniosa com a paisagem carioca e pelo diálogo criativo com o calçadão de Burle Marx, transformando a famosa orla de Copacabana em um “boulevard vertical”. A exposição, curada por Larissa Graça e Ana Paula Pontes, ocupa o térreo e o mezanino, apresentando maquetes, vídeos, croquis e registros que contam desde a concepção arquitetônica até os desafios técnicos, incluindo a construção de um auditório subterrâneo com 280 lugares, instalado a dez metros de profundidade próximo ao mar.
As obras foram divididas em três etapas principais: a demolição do antigo prédio da Boate Help em 2010, a construção das fundações e estrutura de concreto até 2014, e a terceira fase de instalações e acabamentos, que sofreu interrupções durante a crise fiscal estadual em 2016 e apenas recentemente retomou o ritmo. Segundo Larissa Graça, a trajetória da construção reflete as dificuldades enfrentadas pelo Rio de Janeiro nos últimos anos, incluindo os impactos da pandemia. O financiamento combina recursos públicos e privados, com quase metade dos investimentos provenientes de parcerias via Lei Rouanet do Ministério da Cultura.
Quando totalmente concluído, o MIS abrigará mais de um milhão de itens, incluindo acervos do fotógrafo Augusto Malta, da cantora Carmen Miranda e do músico Pixinguinha. O complexo contará com restaurante panorâmico, café, áreas educativas, espaços de pesquisa, cinema ao ar livre no terraço e ambientes imersivos dedicados à música, fotografia e cultura carioca. Os pavimentos apresentarão experiências temáticas sobre o espírito carioca, música brasileira, vida noturna e a relação do Rio com o mar, enquanto o subsolo dedicará um espaço às “Noites Cariocas” e à história do funk.
Entre os primeiros visitantes estava a professora de artes Marta Azambuja, de 93 anos, que após viajar pelo mundo declarou: “Nunca encontrei um museu tão diferente como esse, integrado à natureza”. A secretária estadual de Cultura e Economia Criativa, Danielle Barros, definiu a abertura como um marco simbólico para a retomada cultural carioca, celebrando um legado que representa a brasilidade em seus múltiplos aspectos através de imagens, sons e memória.












