Brasília (DF) – O destino da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pretende extinguir a jornada de trabalho na escala 6×1 já tem um rito definido, ao menos na visão da cúpula da Casa. Nesta terça-feira (2), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, barrou qualquer possibilidade de levar o texto direto ao Plenário para uma votação imediata. A medida terá de percorrer o caminho regimental habitual, sendo submetida ao crivo das comissões temáticas antes de chegar à etapa final.
O argumento central por trás da decisão é evitar o que o parlamentar chamou de simples chancela de um conteúdo já debatido anteriormente na Câmara dos Deputados, onde a matéria recebeu o sinal verde no último dia 27 de maio. O foco, segundo ele, é que o Senado cumpra seu papel de “Casa da Federação” ao aperfeiçoar a proposta. A mudança prevista é sensível: o texto estabelece o limite de 40 horas semanais, garantindo ao trabalhador dois dias de descanso a cada cinco de atividade — o modelo 5×2.
Ao ser questionado pelo senador Styvenson Valentim (Podemos-RN), Alcolumbre foi direto. Ele defende uma análise sem pressa, com maturidade institucional e longe de qualquer impulso externo. O objetivo é que os senadores tenham espaço para ponderar os impactos da mudança para diversos setores produtivos antes de qualquer deliberação definitiva.
Ajustes no cronograma legislativo
Para alinhar os próximos passos, o presidente do Senado pretende organizar uma reunião na próxima semana. O encontro contará com a participação de líderes partidários e do presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o senador Otto Alencar (PSD-BA). A pauta será definir como a proposta deve ser conduzida para garantir a participação de todos os atores envolvidos, sem o atropelo que, segundo ele, é muitas vezes exigido pelo ambiente digital.
O posicionamento de Alcolumbre também revelou um desabafo sobre o clima no Parlamento. Ele criticou o que classificou como uma “obsessão eleitoral” que toma conta das discussões brasileiras. Na ocasião, o parlamentar relembrou o desgaste recente relacionado ao requerimento de uma CPMI sobre o Banco Master. Para ele, o interesse em abrir novas frentes de investigação — já cobertas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público — serve mais como palanque político do que como instrumento real de fiscalização.
A tensão parece transbordar a própria PEC. Ao finalizar seu comentário sobre o cenário legislativo, o senador disparou contra a polarização constante que atravessa o cotidiano do país. Segundo Alcolumbre, é preciso elevar o debate para além da disputa partidária e da expectativa pelo próximo dia 4 de outubro. O Brasil, na visão do presidente do Senado, precisa superar o estado permanente de campanha se quiser pavimentar um caminho viável para o futuro.









