Brasília (DF) – O intrincado xadrez político do Rio de Janeiro sofreu um revés de peso nesta terça-feira, 2. Por um placar de 5 votos a 2, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) barrou as pretensões de Claudio Castro ao rejeitar o recurso do ex-governador, mantendo sua inelegibilidade esticada até o ano de 2030. No mesmo julgamento de bastidores aquecidos, os magistrados confirmaram também a condenação de Rodrigo Bacellar, ex-deputado estadual que dividia as acusações no processo.
A origem do caso remonta à punição aplicada em 23 de março. A Corte eleitoral acolheu o pedido do Ministério Público Eleitoral (MPE), amparado em investigações de esquemas nas contratações temporárias da Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj) e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Esses episódios polêmicos, que irrigaram o cenário político de 2022, usaram repasses a entidades alheias à administração fluminense. De acordo com o que o órgão de acusação detalhou na ação, a manobra direcionou R$ 248 milhões de maneira ilegal para justificar a admissão temporária de 27.665 servidores, o que alterou a igualdade na corrida eleitoral.
O impasse sobre o futuro comando fluminense
A condenação de Castro tira uma peça importante da cena, mas o rumo definitivo sobre como e quando ocorrerá a escolha do novo ocupante para o mandato-tampão está nas mãos do Supremo Tribunal Federal (STF). A Suprema Corte deverá bater o martelo sobre a aplicação de eleições diretas ou indiretas no território fluminense.
Antes da abertura oficial da sessão de julgamento, Claudio Castro decidiu antecipar sua desfiliação do cargo de governador, o que causou grande ruído político. Ele protocolou a renúncia sob o pretexto de respeitar os prazos necessários de desincompatibilização para mirar em uma cadeira no Senado Federal — que se esgotavam no dia 4 de abril. A renúncia relâmpago foi lida por adversários locais como uma evidente pressão para empurrar a eleição à modalidade indireta, onde o parlamento fluminense vota, ao invés do povo. Atento ao movimento, o partido PSD, legenda alinhada à pré-candidatura de Eduardo Paes na capital, correu ao Supremo com um recurso que exige a via democrática direta.
Com as saídas sucessivas, o topo do poder do Rio está esvaziado. O posto de vice-governador ficou sem dono definitivo em 2025, logo após Thiago Pampolha migrar de sua função anterior para assumir a nomeação de conselheiro junto ao Tribunal de Contas fluminense.
Próximo a encabeçar a lista sucessória direta, o novo comandante do Legislativo do Rio, deputado Douglas Ruas (PL), buscou a ocupação imediata do posto para preencher a vaga interina do Executivo. Ruas havia assumido a cadeira máxima do parlamento logo após o antecessor Rodrigo Bacellar ter seu mandato de deputado integralmente cassado. No entanto, o Supremo agiu rápido para barrar o anseio do parlamentar liberal, emitindo ordem de espera até a deliberação constitucional colegiada.
Diante do vácuo provocado pelo embate judicial, o atual responsável legal pelas decisões provisórias no Palácio Guanabara é o chefe máximo da Justiça fluminense, desembargador Ricardo Couto de Castro.












