Brasília (DF) – A proteção contra a paralisia infantil ganhará um reforço extra no Brasil. A partir do dia 3 de agosto, o Sistema Único de Saúde (SUS) vai retomar o esquema vacinal de cinco doses contra a poliomielite, reintroduzindo a segunda dose de reforço para as crianças de 4 anos de idade. A grande mudança desta atualização é a transição definitiva para o modelo totalmente injetável, aposentando as antigas gotinhas de vírus enfraquecido.
Essa reorganização foi motivada por critérios rígidos de segurança. No formato que vigorava anteriormente, os bebês recebiam três aplicações da vacina inativada (injetável) aos 2, 4 e 6 meses de vida, seguidas por dois reforços por via oral aos 15 meses e aos 4 anos. No entanto, por conta de um risco muito raro de mutação do vírus atenuado da versão oral — que poderia, de forma excepcional, desencadear a própria doença —, o Ministério da Saúde decidiu extinguir a dose em gotas.
Quando essa transição ocorreu, a segunda dose de reforço aos 4 anos foi temporariamente retirada do cronograma. Agora, após uma análise detalhada da Câmara Técnica Assessora em Imunizações, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) restabeleceu o segundo reforço em nota técnica divulgada na semana passada. Com isso, o ciclo definitivo de imunização passa a ser composto por três doses iniciais (aos 2, 4 e 6 meses) e dois reforços injetáveis (aos 15 meses e aos 4 anos).
Entenda a importância do reforço
A decisão de restabelecer a quinta dose alinha o Brasil ao padrão recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A dose adicional é necessária porque a proteção conferida pelo imunizante cai com o passar do tempo. Manter os dois reforços garante que os anticorpos permaneçam elevados durante a primeira infância.
A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBI), Isabela Ballalai, explica que a pólio está controlada no país, mas o cenário internacional preocupa devido a surtos localizados. Esse panorama global aumenta o risco de reintrodução do vírus no Brasil, tornando o reforço indispensável. A vacina é direcionada prioritariamente aos menores de 5 anos por ser a faixa etária mais exposta a quadros graves, embora adultos também possam ser vacinados em situações excepcionais de surto.
Os postos de saúde estarão abertos para receber todas as crianças menores de 5 anos que ainda não completaram as cinco doses recomendadas, permitindo que os pais atualizem a caderneta de vacinação. O Brasil não registra casos de poliomielite há 37 anos e recebeu o certificado de área livre de circulação do vírus em 1994. No entanto, o passado serve de alerta: entre 1968 e 1989, o país registrou mais de 26 mil infecções pela doença, que ataca o sistema nervoso e pode causar paralisia e morte.













