Brasília (DF) – O Ministério da Saúde oficializou nesta quinta-feira (21) a chegada do Teste Imunoquímico Fecal (FIT) ao SUS. O novo protocolo foca em homens e mulheres entre 50 e 75 anos que não apresentam sintomas. A aposta é alta: com uma sensibilidade que alcança até 92%, a medida pretende ampliar o alcance da detecção precoce para mais de 40 milhões de brasileiros.
O cenário é preocupante e justifica a urgência da medida. O câncer colorretal figura como o segundo mais frequente no país, fora os tumores de pele não melanoma. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) projeta cerca de 53,8 mil novos diagnósticos anuais para o triênio 2026-2028. Sem intervenção, estudos indicam que as mortes pela doença podem triplicar até 2030, um reflexo direto do diagnóstico tardio.
Precisão e facilidade na coleta
Diferente dos métodos antigos, o FIT utiliza anticorpos específicos para detectar sangue humano — mesmo aquele invisível a olho nu. O procedimento é simples: o paciente realiza a coleta em casa, sem necessidade de dieta restritiva ou preparo intestinal complexo. Se o resultado for positivo, o SUS encaminha o paciente para a colonoscopia, o padrão-ouro que permite identificar lesões e remover pólipos antes que virem tumores.
A estratégia foi avaliada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) em março deste ano. Ao facilitar o acesso e eliminar barreiras invasivas, o governo espera aumentar a adesão da população ao rastreamento. Afinal, a chave para mudar as estatísticas de mortalidade está justamente em interceptar a doença antes que ela avance.









