São Paulo (SP) – O mercado financeiro brasileiro iniciou o mês sob pressão intensa, refletindo o clima de insegurança que tomou conta dos investidores desde o resultado das urnas. Nesta terça-feira (3), o dólar comercial registrou alta de 0,74%, encerrando o dia cotado a R$ 5,486. Durante o período de maior nervosismo do pregão, por volta das 13h50, a moeda norte-americana chegou a superar a barreira de R$ 5,50, evidenciando a fragilidade do real frente ao cenário doméstico.
A instabilidade não se limitou ao câmbio. O Ibovespa engatou sua sexta sessão consecutiva de perdas, recuando 1,42% e fechando aos 165.528,92 pontos. O índice chegou a romper para baixo o patamar de 165 mil pontos durante a manhã, atingindo a mínima de 164.446,53 pontos às 11h23. O desempenho negativo marca um período de forte desvalorização dos ativos nacionais, que perderam tração considerável desde a definição do pleito eleitoral, quando o indicador operava acima dos 205 mil pontos.
No centro das preocupações do mercado estão as dúvidas sobre a condução das contas públicas e a agenda econômica do governo reeleito. O debate sobre possíveis alterações no regime monetário, alimentado por propostas do economista André Lara Resende, gerou ruído entre os operadores. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tentou conter a especulação durante a manhã ao afirmar que tais ideias apresentam deficiências e não integram a pauta oficial, reforçando a intenção de manter uma política de ajuste fiscal gradual.
Enquanto o cenário interno impõe restrições, o olhar dos investidores se volta para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para esta quarta-feira (4). Com a taxa Selic atualmente em 13,75% ao ano, a expectativa é de que o Banco Central mantenha o nível dos juros, especialmente diante do agravamento das projeções inflacionárias. O boletim Focus, divulgado nesta mesma terça-feira, elevou a estimativa para o IPCA de 2027 a 4,76%, superando o teto da meta de 4,5%. A previsão para a Selic ao final do próximo ano também foi ajustada para cima, saltando de 11,75% para 12,50%.
O movimento dos ativos brasileiros também sentiu a influência de fatores externos. O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis moedas fortes, avançava 0,13% aos 101,850 pontos no final da tarde. Paralelamente, as ações da Petrobras e da Vale — pilares de liquidez da bolsa — foram arrastadas por ajustes nos preços internacionais de commodities e pelo ambiente global de incertezas. Em um dia de poucos respiros, o mercado aguarda agora o comunicado do Banco Central para tentar definir a direção dos preços nos próximos pregões.













