Brasília (DF) – O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, posicionou-se nesta terça-feira (3) pela manutenção da proibição de sites de apostas online, as chamadas bets. Durante audiência pública convocada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o chefe da pasta justificou a medida ressaltando os efeitos colaterais severos que a modalidade tem imposto à rede pública de saúde e à estrutura social das famílias brasileiras.
A preocupação central do governo gira em torno do aumento da ludopatia, o vício patológico em jogos, que tem sobrecarregado os serviços assistenciais. Padilha enfatizou que, no cenário internacional, a experiência de legalização desse setor não trouxe ganhos, mas sim uma deterioração clara dos indicadores de saúde pública, elevando os índices de violência familiar e tentativas de autoextermínio motivadas por dívidas incontroláveis.
Para ilustrar a gravidade da situação, o ministro apresentou números que detalham o avanço do problema. Segundo os dados levantados pela pasta, a demanda por atendimentos no Sistema Único de Saúde causados diretamente pelos malefícios das bets cresceu 200%. Antes da implementação do bloqueio, o país contabilizou 28 milhões de apostadores, sendo que quase 11 milhões apresentaram algum tipo de padrão de risco ou comportamento classificado como problemático.
O volume de pedidos de autoexclusão de CPFs, que já alcança a marca de 1,2 milhão de solicitações, reforça o argumento de uma crise de saúde mental em curso. Padilha destacou um detalhe alarmante: 40% das pessoas que recorreram ao bloqueio administrativo admitiram explicitamente que não possuem mais qualquer controle sobre suas próprias vidas. Para o ministro, o prejuízo financeiro é secundário frente à perda de autonomia e estabilidade emocional dos indivíduos.
O debate no STF ocorre a partir de uma provocação do ministro Luiz Fux, relator de recursos movidos pela Associação Nacional de Jogos e Loterias e pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável. As entidades buscam invalidar a medida provisória publicada em setembro deste ano, que restringiu a exploração e a publicidade dos jogos. Enquanto o Judiciário avalia a constitucionalidade do veto, o governo mantém a postura de que a proibição atua como uma barreira protetiva essencial para conter um colapso social iminente.













