Ibatiba (ES) – O consumo das famílias brasileiras dentro dos lares encerrou os primeiros nove meses deste ano com um crescimento de 2,70%. O indicador, medido pela Associação Brasileira de Supermercados, demonstra um cenário de estabilidade, mantendo patamar quase idêntico aos 2,71% registrados no acumulado até o mês de agosto. O levantamento, que utiliza dados deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, abrange todos os formatos de varejo alimentar, desde pequenas unidades de bairro até grandes redes de atacarejo.
Ao observar o recorte mensal, setembro apresentou uma retração de 1,46% na comparação com agosto. O recuo interrompeu uma sequência de dois meses de elevação, período em que o consumo havia avançado 3,01% em julho e 2,21% em agosto. Analistas do setor observam que esse movimento de baixa em setembro já era esperado, uma vez que o mesmo mês foi marcado por quedas em anos anteriores, registrando recuos de 1,30% em 2024 e de 0,94% em 2025.
Apesar da oscilação mensal, a trajetória anual permanece positiva. Esse comportamento é sustentado, em grande parte, por indicadores favoráveis do mercado de trabalho. A taxa de desocupação, situada em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, caminha ao lado de um contingente de ocupados que alcançou 103,5 milhões de pessoas, o maior volume já registrado na série histórica. O poder de compra também mostra fôlego, com o rendimento médio real habitual atingindo R$ 3.777, um incremento de 3,7% em relação ao mesmo período de 2025.
A injeção de recursos na economia teve influência direta sobre o desempenho do varejo no período. Em setembro, o programa Bolsa Família destinou R$ 13,04 bilhões para cerca de 19,3 milhões de famílias. Somam-se a esse fluxo a liberação de R$ 3,22 bilhões pelo Conselho da Justiça Federal para o pagamento de Requisições de Pequeno Valor, beneficiando 278 mil pessoas, além da distribuição de restituições do Imposto de Renda para mais de 521,9 mil cidadãos.
Entre os desafios futuros, o setor supermercados monitora com atenção a transição política e econômica. A isenção de tributos sobre produtos da cesta básica, especialmente proteínas como carnes, aves e peixes, é vista como um pilar essencial para a manutenção do consumo. Contudo, há apreensão sobre a definição de novas alíquotas de impostos na próxima gestão e seus possíveis reflexos sobre os preços finais aos consumidores. O endividamento das famílias também figura como um ponto de vigilância para as lideranças do setor.
Recentemente, a entidade destacou impactos diretos de medidas regulatórias no comportamento do consumidor. A proibição das apostas esportivas online, as chamadas bets, foi associada a um aumento imediato nas vendas de alimentos nas semanas seguintes à restrição, com crescimentos de 6,5% e 6,3% na primeira quinzena de outubro de 2026, na comparação anual. Por outro lado, a discussão sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho geram incertezas operacionais. Existe o temor de que, caso a legislação não considere as especificidades do varejo — setor que desempenhou papel estratégico de abastecimento durante a pandemia —, possa ocorrer uma desorganização na logística de suprimentos do país.












