Nova York, Estados Unidos – O embaixador de Cuba no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, classificou como uma vitória diplomática a aprovação da resolução na Assembleia Geral das Nações Unidas que condena o bloqueio econômico dos Estados Unidos contra a ilha. O texto, votado na última terça-feira (29), recebeu 130 votos favoráveis, incluindo o do Brasil. Apesar do resultado, o cenário reflete um isolamento inédito nas últimas três décadas, marcando o menor índice de apoio desde que a pauta passou a ser discutida anualmente na organização.
A perda de suporte internacional é atribuída a uma ofensiva diplomática orquestrada pelo governo de Donald Trump. Ao pressionar aliados, a administração norte-americana conseguiu reduzir significativamente o bloco que historicamente se opunha às restrições. Enquanto apenas Israel acompanhou os Estados Unidos no voto contrário, um grupo de 17 nações — entre elas Argentina, Ucrânia e Colômbia — se posicionou contra a resolução. Outros 25 países, incluindo nações latino-americanas que tradicionalmente apoiavam a causa cubana, optaram pela abstenção, evidenciando uma mudança drástica na geopolítica regional.
Para o diplomata, o impacto das sanções transcende a política e atinge diretamente a sobrevivência da população. Cairo Palomo destacou o custo humano do bloqueio, apontando que a falta de medicamentos e combustível para equipamentos hospitalares contribuiu para a morte de mais de 1,5 mil crianças no país. Dados internos revelam que a mortalidade infantil na ilha dobrou entre 2025 e 2026, saltando de 4,4 para 9,9 óbitos por mil nascimentos, um reflexo do cerco econômico que, segundo ele, desrespeita o direito internacional.
A situação em Cuba tornou-se crítica desde janeiro de 2025, com o retorno de Trump à Casa Branca e a implementação de uma nova doutrina para a América Latina. O bloqueio energético, que ameaça países fornecedores de petróleo, provocou uma escassez severa na ilha, resultando em apagões que chegam a dez horas diárias em Havana. A paralisia econômica é agravada pelas chamadas sanções secundárias, que punem companhias internacionais que mantêm laços comerciais com o país. Segundo o embaixador, cerca de 7 mil contêineres adquiridos por Cuba estão retidos em portos globais, pois transportadoras temem represálias dos Estados Unidos.
O endurecimento das medidas também atingiu setores estratégicos, como o turismo, com a saída de empresas hoteleiras e o encerramento das operações de cartões de crédito como o Visa. Em uma escalada recente, o Departamento de Estado dos EUA sancionou companhias de tecnologias sensíveis, enquanto a Justiça norte-americana decretou a prisão do ex-presidente Raúl Castro. Diante desse cenário, Cuba iniciou uma reforma econômica com foco em fontes renováveis e soberania alimentar.
Cairo Palomo ressaltou que a transição para a energia solar, apoiada pela China, é a aposta para contornar a crise de combustível. Para o representante cubano, o bloqueio não é apenas um problema da ilha, mas um precedente preocupante para o sistema internacional. Ele argumenta que a política de Washington demonstra uma intenção de controlar os destinos da América Latina pela força, transformando a soberania de qualquer país em alvo em potencial caso desafie os interesses dos Estados Unidos.












