Biarritz, França – O encerramento das atividades do G7 na França, nesta quarta-feira (17), colocou em pauta a segurança de crianças e adolescentes no ambiente virtual. Em meio ao debate sobre o desenvolvimento econômico global, os líderes presentes formalizaram o compromisso de criar mecanismos de proteção online para menores de 18 anos, reforçando o poder de supervisão dos responsáveis sobre o consumo de tecnologia.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, convidado para as sessões, também integrou as discussões sobre os limites e riscos da Inteligência Artificial. O debate ganhou contornos práticos com a presença, a portas fechadas, de executivos do setor, incluindo Sam Altman, da OpenAI, e Dario Amodei, da Anthropic. O Brasil manifestou apoio direto ao combate sistemático de crimes digitais e aos perigos decorrentes da rápida expansão dessas ferramentas.
A agenda diplomática do líder brasileiro foi intensa. Ele manteve reuniões bilaterais estratégicas, encontrando-se com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e com o líder egípcio, Abdul Al-Sisi. O Egito, aliás, foi tema central de outro encontro nos bastidores, desta vez entre Al-Sisi e Donald Trump. A dupla discutiu o impacto da barragem construída na Etiópia, que afeta o nível do Rio Nilo, além de temas sensíveis como o acordo nuclear com o Irã — sobre o qual Trump negou a existência de qualquer fundo de investimento de 300 bilhões de dólares destinado aos iranianos.
Geopolítica e minerais estratégicos
Um dos pontos de convergência entre as potências do G7 foi a necessidade de reformular a geografia da produção mundial. Os líderes traçaram a meta de reduzir a dependência de mercados específicos, notadamente a China, para patamares abaixo de 60% até 2030. A estratégia passa pela diversificação das cadeias de suprimentos de minerais críticos e terras raras, concretizada com a criação de uma Aliança de Resiliência e Produção focada em padrões de mineração sustentável e coordenação de investimentos.
No campo da segurança, o grupo reafirmou um apoio classificado como inabalável à Ucrânia. O plano inclui o fortalecimento da defesa aérea ucraniana e a avaliação de licenças para a produção militar dentro do próprio território do país em conflito. Friedrich Merz, político alemão, sublinhou o simbolismo deste desfecho: foi a primeira vez, desde o início do mandato de Donald Trump, que o G7 alcançou consenso para publicar uma declaração unificada sobre política externa e segurança.
O encerramento do encontro também marcou um apelo público por um cessar-fogo imediato no Líbano e a celebração do entendimento entre Estados Unidos e Irã para impedir a proliferação de armas nucleares. A cúpula encerrou-se com promessas de endurecer o combate às redes criminosas, ao tráfico de drogas e ao tráfico humano, focando em desmantelar as rotas financeiras que sustentam essas atividades ilícitas.











