Évian, França – O presidente brasileiro subiu ao palco na cidade francesa de Évian, nesta terça-feira (16), com uma mensagem direta aos líderes das economias mais robustas do planeta. O tom de cobrança marcou sua participação no G7, onde o foco central recaiu sobre a disparidade abismal na distribuição de riqueza mundial. Em uma crítica incisiva, o chefe do Executivo brasileiro apontou a falta de solidariedade internacional como um dos motores que impulsionam não apenas a pobreza, mas o agravamento da crise climática.
Para ilustrar a profundidade do abismo econômico, Lula recorreu a um exemplo contemporâneo: o empresário Elon Musk. Segundo o presidente, a fortuna acumulada por um único indivíduo — o primeiro trilionário da história — supera o patrimônio somado de quase metade da população mundial. Esse contraste serviu como base para a defesa de uma reforma profunda no sistema financeiro global e uma regulação mais justa no acesso à inteligência artificial.
O discurso também mirou o protecionismo e o unilateralismo, classificados pelo presidente como estratégias ineficazes para lidar com dilemas que transcendem fronteiras nacionais. Em vez de priorizar o aumento de despesas com armamentos militares, Lula pediu um redirecionamento de investimentos para pilares essenciais: o Acordo de Paris, o Programa Mundial de Alimentos, a Organização Mundial da Saúde e o Unicef.
A agenda brasileira no encontro incluiu a promoção de iniciativas nacionais. O governo destacou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre e a estruturação da Aliança Global contra a Fome, além de reiterar a importância do combate ao crime organizado. Outro ponto estratégico foi a industrialização: na visão do Planalto, nações ricas em minerais críticos precisam deixar de ser apenas exportadoras de matéria-prima e passar a deter etapas de maior valor agregado, com transferência efetiva de tecnologia.
A diplomacia também ocupou parte do dia. Em uma reunião bilateral com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, o tema principal foi a integração comercial. Ambos confirmaram o início das negociações para um Acordo de Parceria Econômica entre o Japão e o Mercosul, cujo marco inicial está previsto para a cúpula de Assunção, no Paraguai, no final deste mês. Encontros com figuras de peso do bloco europeu, como Ursula von der Leyen, da Comissão Europeia, e António Costa, do Conselho Europeu, também integraram a rotina do presidente.
Enquanto o Brasil enfatizava o pilar social, os demais líderes do G7 reafirmaram o apoio à Ucrânia no conflito contra a Rússia. A atmosfera de otimismo em relação a um eventual desfecho para a guerra no Oriente Médio trouxe reflexos imediatos ao mercado, com a queda nos preços do petróleo diante da expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz. Apesar do alívio, o FMI mantém cautela, projetando que a retomada econômica global ainda exigirá tempo.
O cronograma desta quarta-feira (17) volta-se para as discussões sobre crescimento econômico equilibrado. O Brasil participará, ainda, de um almoço de trabalho dedicado exclusivamente ao futuro da inteligência artificial. Até o momento, a Presidência da República não detalhou os desdobramentos finais da agenda do chefe de Estado no evento francês.








