Brasília (DF) – O norte de Mato Grosso guarda um exemplo prático de convivência entre produção rural e conservação ambiental. Antônia Soares de Brito Oliveira, liderança do assentamento PDS São Paulo, é a responsável por gerir uma das áreas que se tornou referência ao preservar aproximadamente 70% da cobertura vegetal amazônica em seu território, apostando na força dos sistemas agroflorestais e na agricultura familiar como pilares para o bem-viver.
Durante visita recente aos estúdios da Rádio Nacional da Amazônia, Antônia trouxe um símbolo concreto de sua luta: um ouriço de castanheira. O fruto, coletado da espécie conhecida como a rainha da floresta, foi esculpido e transformado em peça artística por José Severino, seu companheiro de jornada.
O gesto carrega o peso de uma causa que vai além da produção agrícola. Junto com o artesanato, a comitiva trouxe elementos que representam a riqueza da biodiversidade local, incluindo o mel de abelhas de florada silvestre, a chamada pedra do índio e um trabalho em crochê branco, adotado simbolicamente como uma bandeira de paz. O assentamento, situado no município de Carlinda, tem demonstrado que é possível aliar a subsistência de famílias rurais à proteção rigorosa dos recursos naturais, desafiando a lógica de degradação que ainda cerca grandes extensões de terra na região amazônica.
A presença de Antônia reforça a visibilidade desse modelo, que utiliza o manejo sustentável para garantir renda sem abrir mão do ecossistema. Enquanto o debate sobre o futuro da floresta ocupa arenas globais, experiências como a do PDS São Paulo entregam resultados palpáveis, provando que a manutenção da floresta em pé é, antes de tudo, uma escolha estratégica de gestão comunitária e respeito ao meio ambiente.













