Washington, Estados Unidos – A saída do país rumo aos Estados Unidos ganhou novos contornos nesta semana com a divulgação de um manifesto assinado por Flávio Bolsonaro (PL). Derrotado no segundo turno da disputa presidencial realizada no último domingo (25), o parlamentar utilizou o documento para agradecer publicamente o apoio logístico e político concedido pelo presidente americano, Donald Trump, e pelo mandatário argentino, Javier Milei, para concretizar sua fuga do território brasileiro.
O texto passou por alterações estruturais logo após a primeira distribuição à imprensa. Inicialmente, o senador autodeclarava-se como o “verdadeiro presidente eleito do país”. Cerca de trinta minutos mais tarde, o trecho foi modificado para “líder do Brasil”. Outro detalhe que chamou atenção na primeira versão foi o uso de um brasão adaptado da República com a grafia “Estados Unidos do Brazil”, nomenclatura abolida em março de 1967.
Na manifestação oficial, o candidato derrotado repete acusações sem provas sobre uma suposta fraude no pleito e direciona críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin. O magistrado prorrogou o período de votação até as 19h após solicitações formais apresentadas tanto pelas campanhas do PL quanto do PT. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou que o universo de aptos a votar somava aproximadamente 158,7 milhões de eleitores, sendo que o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva alcançou 64 milhões de votos contra pouco mais de 59 milhões obtidos pelo adversário. A extensão de duas horas computou apenas 34.393 votos adicionais.
“Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas”, argumentou o parlamentar no documento distribuído por sua assessoria.
As contestações colidem com a chancela oficial conferida ao resultado por observadores internacionais, incluindo a Organização dos Estados Americanos (OEA), além de chefes de Estado globais, os presidentes da Câmara e do Senado, e até mesmo a cúpula do próprio Partido Liberal, que reconheceu o triunfo de Lula. Dias antes da saída, o ministro Alexandre de Moraes determinou a retenção dos passaportes pessoal e diplomático do senador, atendendo a uma representação da Polícia Federal protocolada um dia após o término da votação.
Atualmente, o político enfrenta investigações em dois inquéritos distintos na Suprema Corte. Um deles apura suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas esportivas, envolvendo o advogado Willer Tomaz. O segundo procedimento examina a origem dos recursos utilizados no financiamento da produção cinematográfica Dark Horse, obra dedicada à trajetória de seu pai.
A partir do território norte-americano, o senador sinalizou que pretende comandar as movimentações contrárias ao governo federal, assumindo os riscos institucionais que os correligionários remanescentes no Brasil estariam impedidos de enfrentar. “Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”, pontuou.
A concessão da autorização migratória pelo governo dos Estados Unidos gerou repercussão imediata no cenário político de Washington. Na manhã do dia 28, o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados norte-americana, controlado pelos democratas, utilizou as redes sociais para reprovar a postura adotada pela administração de Donald Trump em relação ao clã brasileiro.
“Nenhum asilo para pessoas fugindo da guerra no Sudão ou de conflitos no Haiti, mas Marco Rubio está estendendo o tapete vermelho para Bolsonaro”, publicou o colegiado na plataforma X, criticando o tratamento dispensado ao senador pelo secretário de Estado.













