Rio de Janeiro (RJ) – Mais de R$ 327 milhões em ativos vinculados a 12 investigados e empresas de fachada foram bloqueados pela Justiça a pedido de promotores. A decisão atinge diretamente o esquema de comercialização clandestina de gás de cozinha operado por uma facção criminosa em favelas da região metropolitana do estado do Rio de Janeiro.
A ofensiva judicial veio acompanhada de mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão cumpridos por equipes policiais nesta quarta-feira (28). Entre os alvos da denúncia formalizada está Edgar Alves de Andrade, apelidado de Doca, apontado como o principal líder do Comando Vermelho atualmente em liberdade e comandante das ações no Complexo do Alemão.
O inquérito policial começou a desenhar o esquema após o proprietário de um depósito de gás situado na comunidade Vai Quem Quer, em Duque de Caxias, procurar autoridades para relatar ameaças explícitas de morte e sequestro. A partir desse registro, a investigação revelou uma estrutura hierarquizada, com divisão clara de tarefas e comunicação constante entre os operadores.
Atuando entre 2024 e 2025 em localidades de Duque de Caxias, São Gonçalo, Niterói e na capital, o grupo impunha regras severas ao comércio local. Os lojistas eram forçados a adquirir os botijões exclusivamente de uma distribuidora específica ou a pagar taxas mensais obrigatórias ao tráfico para manter as portas abertas.
A população residente nessas áreas também sofria o impacto direto da coerção, sendo obrigada a comprar o combustível apenas nos pontos determinados pelos criminosos, que praticavam preços majorados. O objetivo central da rede criminosa era eliminar qualquer concorrência, ditar as regras comerciais na região e garantir o fluxo financeiro contínuo para a organização.










