Washington, Estados Unidos – A condução da política migratória norte-americana entrou no centro de um debate político em Washington após a emissão de autorização de entrada para o senador brasileiro Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e seus familiares. O Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos manifestou oposição pública à medida por meio de publicações em plataformas digitais, confrontando o tratamento dispensado ao parlamentar com as restrições impostas a pessoas que escapam de crises humanitárias em nações como Sudão e Haiti.
Na avaliação do colegiado, vinculado ao partido oposicionista, o secretário de Estado Marco Rubio estenderia facilidades incomuns ao grupo familiar enquanto barreiras vigoram para migrantes em situação de conflito. A manifestação apontou um suposto contrassenso nas diretrizes do Departamento de Estado, argumentando que a rejeição a pedidos de refúgio por violência contrastaria com a acolhida a figuras políticas estrangeiras sob questionamento judicial em seus países de origem.
Em manifestação própria, o deputado Joaquin Castro pontuou que derrotas em disputas eleitorais não configurariam fundamento jurídico para obtenção de asilo político. O parlamentar democrata destacou que o senador brasileiro enfrenta investigações criminais por suposta corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, além de ter recebido determinação judicial para entregar seus documentos de viagem às autoridades competentes.
Para o deputado, a administração liderada por Donald Trump deve esclarecimentos formais ao Congresso dos Estados Unidos devido a uma suposta participação em facilitar a saída do parlamentar do território brasileiro em desrespeito às leis locais. O deslocamento ocorreu após o senador ser derrotado por mais de 4,4 milhões de votos por Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição presidencial realizada no último domingo (26).
O parlamentar brasileiro, acompanhado da esposa e de duas filhas, desembarcou em Miami nesta quarta-feira (28). O trajeto envolveu cruzar a fronteira terrestre com a Argentina para embarcar em um voo particular que realizou escala no Equador. A partida ocorreu após o descumprimento do prazo estipulado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para a entrega dos passaportes à Polícia Federal.
Na véspera da viagem, por meio de um vídeo veiculado em suas redes sociais após a intimação judicial, o senador havia negado qualquer plano de deixar o país e declarado que permanencia em solo nacional para coordenar a articulação da oposição ao governo federal. A ordem de retenção dos documentos foi emitida no âmbito de um inquérito que apura suposta lavagem de dinheiro envolvendo também o advogado Willer Tomaz, com ambos negando a prática de irregularidades.
A movimentação do senador ganhou contornos públicos dias antes, quando seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, sugeriu em transmissão ao vivo que o parlamentar deveria deixar o Brasil caso fosse derrotado no pleito presidencial, com o objetivo de liderar o bloco oposicionista a partir do exterior. A repercussão do caso segue mobilizando autoridades legislativas estrangeiras e o judiciário brasileiro.












