Brejetuba (ES) – O Reino Unido caminha para o seu sétimo chefe de governo em apenas uma década. A nova turbulência política se consolidou na manhã desta segunda-feira (22), quando Keir Starmer utilizou os microfones posicionados em frente à residência oficial de Downing Street para anunciar sua renúncia como líder do Partido Trabalhista e, consequentemente, do posto de primeiro-ministro britânico.
A decisão encerra de forma precoce uma gestão que começou há apenas dois anos sob o signo de uma vitória histórica. Naquela ocasião, Starmer quebrou um jejum de 14 anos sem que a centro-esquerda ocupasse o poder em Londres. Contudo, o desgaste acelerado de sua popularidade nas ruas e a pressão interna da própria legenda tornaram sua permanência inviável.
O estopim para a queda ocorreu na semana passada. O prefeito de Manchester, Andy Burnham, conseguiu retornar ao Parlamento após vencer uma eleição legislativa local. A vitória de Burnham funcionou como um catalisador de descontentamentos na bancada trabalhista e precipitou o isolamento do primeiro-ministro. Burnham, inclusive, já oficializou que pretende disputar o controle da legenda governista.
Ao justificar seu afastamento, Starmer adotou um tom sóbrio e evitou ataques diretos aos seus correligionários. Ele mencionou que a legenda precisava avaliar se ele ainda era o nome ideal para guiar os trabalhistas no próximo pleito geral. Diante do posicionamento claro recebido de sua bancada parlamentar, ele optou por aceitar o veredito com serenidade. O agora ex-premiê reforçou que todas as suas escolhas políticas foram pautadas pelo interesse nacional.
A ascensão de Andy Burnham e o fantasma da instabilidade
Com a saída do atual mandatário, Burnham desponta como o favorito absoluto para assumir as rédeas do governo britânico. O provável futuro primeiro-ministro tem bagagem administrativa no escalão federal, tendo ocupado pastas ministeriais durante a última gestão trabalhista, entre os anos de 2007 e 2010. Mais recentemente, sua liderança na prefeitura de Manchester ganhou projeção em todo o país após os embates públicos que travou contra o então premiê conservador Boris Johnson no auge da crise sanitária da Covid-19.
Além de sua força regional, Burnham é visto por estrategistas como a peça fundamental para estancar o avanço eleitoral do Reform UK, partido de direita populista que tem conquistado espaço considerável junto ao eleitorado britânico.
Essa nova troca no comando do país expõe a fragilidade política que se instalou na Grã-Bretanha desde o plebiscito que determinou a saída da União Europeia, o Brexit, em 2016. Desde então, uma sequência de governantes caiu antes de concluir o mandato regular de cinco anos — feito que apenas o conservador David Cameron conseguiu realizar de forma completa recentemente.
O Palácio de Buckingham confirmou que o Rei Charles III já foi formalmente notificado sobre a renúncia de Starmer. Para evitar um vácuo administrativo imediato, o premiê demissionário continuará exercendo as funções de maneira interina até que o Partido Trabalhista conclua seu processo de escolha interna. O cronograma prevê que o novo ocupante do cargo de primeiro-ministro seja definido e empossado antes do reinício das atividades no Parlamento, programado para o mês de setembro.






