Brasília (DF) – A iminente análise do Supremo Tribunal Federal sobre a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes ganhou um novo ingrediente de pressão. A Procuradoria-Geral da República manifestou-se favoravelmente à derrubada do segredo de Justiça que ainda protege os registros de pagamentos ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master. O posicionamento, assinado pelo vice-procurador-geral Hidenburgo Chateaubriand Filho, atende a uma provocação do próprio Moraes, que classificou a medida como fundamental para esclarecer o caso.
O pano de fundo desse embate é um conjunto de 52 mensagens encontradas no celular de Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal. O material revela uma suposta proximidade entre o ex-banqueiro e o ministro entre 2023 e 17 de novembro de 2025, dia em que o empresário foi preso preventivamente. Nas conversas, Vorcaro envia a Moraes a imagem de um contrato de 131 milhões de reais firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado, além de tentar obter informações sobre a operação policial que o mirava.
Até o momento, o tribunal já levantou o sigilo de 53 linhas de investigação derivadas da Operação Compliance Zero — que apura fraudes bilionárias e corrupção de agentes públicos —, mas esta petição específica seguia oculta. A PGR argumenta que a publicidade dos autos é indispensável para que se compreenda a totalidade dos fatores envolvidos antes que o plenário decida o caso. Curiosamente, o órgão revelou que sequer tinha conhecimento do processo, invisível no sistema eletrônico da Corte para os procuradores.
A crise interna no tribunal escalou no início de setembro, quando o ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master, retirou o sigilo do relatório policial com as mensagens. A reação de Moraes foi imediata: o ministro apresentou uma representação ao presidente do Supremo, Edson Fachin, cobrando uma apuração contra o colega por suposto abuso de autoridade e improbidade. Para embasar o pedido, Moraes apresentou um suposto documento de inteligência da corporação policial que sugeria um direcionamento político nas ações de Mendonça, embora o papel não trouxesse assinatura ou timbre oficial, contendo inclusive um aviso de que se tratava de mera conjectura sem valor probatório.
Enquanto o Supremo se prepara para julgar se investiga Moraes nesta terça-feira, a Corte também já agendou para o dia 23 de setembro a análise do pedido de investigação contra Mendonça. O desfecho dessas movimentações promete reorganizar as forças internas de um tribunal que se vê, mais uma vez, sob os holofotes de um severo conflito de interesses e disputas de poder entre seus próprios integrantes.












