Nova York, Estados Unidos – Uma articulação intensa de Washington nos bastidores diplomáticos produziu o menor respaldo internacional já visto em três décadas na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas. Os Estados Unidos conseguiram esvaziar parte do consenso construído ao longo dos anos contra o embargo econômico que mantêm sobre Cuba há quase 27 anos, impondo uma queda expressiva no placar que tradicionalmente pedia o fim das sanções.
Apesar da forte campanha norte-americana para convencer nações aliadas a rejeitarem a medida, a resolução acabou aprovada com 130 votos favoráveis, 17 contrários e 25 abstenções. O governo brasileiro figurou entre os países que votaram pela derrubada do bloqueio, retomando uma postura histórica que havia sido alterada em três ocasiões durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, quando o país votou contra em 2019 e se absteve em 2021 e 2022.
O histórico de votações na Organização das Nações Unidas revela oscilações profundas desde a primeira deliberação sobre o tema, realizada em 1992, quando apenas 59 nações apoiaram a pauta. O ápice do isolamento à política de Washington ocorreu entre 2015 e 2017, coincidindo com o governo do ex-presidente norte-americano Barack Obama, período em que 191 países exigiram o fim do embargo como reflexo de uma política de reaproximação diplomática entre as duas nações.
As sanções econômicas severas cobram um preço drástico no cotidiano da ilha caribenha desde que foram implementadas por Washington em 1960, como resposta direta à revolução cubana ocorrida no ano anterior. O endurecimento das medidas restritivas aprofundou dramaticamente as dificuldades financeiras da população, gerando um cenário de escassez generalizada que atinge o abastecimento de energia, combustíveis, gás de cozinha, insumos médicos e outras prestações básicas essenciais para a sobrevivência no país.
Os reflexos dessa pressão econômica contínua se traduzem em indicadores alarmantes para a economia local. O índice inflacionário acumulado registrou um salto expressivo de 25% em relação ao ano de 2025, impulsionando a deterioração das condições de vida enquanto o cenário geopolítico ao redor da ilha continua polarizado entre a resistência diplomática e o endurecimento das penalidades comerciais.












