Assunção, Paraguai – Medida drástica ocorre após escândalo financeiro e coincide com reviravoltas geopolíticas e eleitorais em Israel.
Milhões de correntistas perderam o acesso imediato aos próprios recursos nesta terça-feira, após uma intervenção drástica do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank. A instituição financeira digital, que mantém ligações diretas com o presidente Santiago Peña, apresentou uma falha severa em sua insuficiência de capital. A gravidade da situação provocou a queda imediata do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, ampliando o desgaste político enfrentado pelo governo.
Com uma base de cerca de três milhões de usuários e o controle de somas milionárias pertencentes a fundos de pensão e recursos estatais, o banco teve todos os serviços paralisados. O bloqueio temporário serve para que os órgãos fiscalizadores estruturem o processo de restituição dos valores aos correntistas. As autoridades monetárias justificaram a medida como um mecanismo indispensável para blindar os depositantes e blindar a solidez do sistema econômico nacional.
O Ueno Bank lidera a emissão de cartões de plástico no mercado paraguaio e agora responde a inquéritos formais. A principal suspeita recua sobre um suposto financiamento indireto direcionado à aquisição de uma carteira de ativos pertencente a uma firma vinculada ao próprio grupo acionista controlador da instituição.
Enquanto a instabilidade financeira sacode a América do Sul, mudanças significativas ocorrem no Oriente Médio com o anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A administração norte-americana planeja cortar até o final do ano o envio anual de 4 bilhões de dólares destinados a Israel, montante que englobava suprimentos militares e suporte financeiro às Forças Armadas.
O encerramento do repasse financeiro já vinha sendo debatido com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, segundo a versão divulgada, que atribui ao próprio premiê a sugestão inicial da medida. No entanto, setores internos do governo israelense demonstraram perplexidade e apreensão diante dos reflexos práticos dessa interrupção.
No âmbito político interno, Israel aguarda a validação oficial do pleito parlamentar sem que nenhuma facção tenha alcançado a marca de 61 assentos exigida para a formação de um gabinete. A coalizão encabeçada por Netanyahu obteve 53 vagas, enquanto a oposição registrou 48 e as legendas árabes somaram 19.
Diante desse cenário de paralisação institucional, caberá ao presidente Isaac Herzog conduzir rodadas de negociações que podem se estender por meses, sob o risco de novas convocações eleitorais. Para superar o impasse, os blocos rivais precisarão buscar o apoio das legendas árabes na tentativa de assegurar a maioria parlamentar necessária para governar.












